Tenho me negado a escrever sobre economia recentemente, para não pactuar com essa onda de pessimismo e negatividade que assola a economia brasileira. Não que não analise e não acompanhe os números macroeconômicos e muito menos que não concorde que uma reforma total necessite tomar conta de nosso governo e de nosso País, mas não desejo transmitir uma vez mais toda a onda de números ruins que vem se apresentando no decorrer do ano. Realmente gostaria de transmitir somente informações construtivas e positivas, mas, ultimamente, está impossível. É bem verdade que alguns setores da economia pouco sofrem com a crise, mas no geral o que está ocorrendo no País é praticamente onipresente.
Segundo dados divulgados pela Câmara Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o comércio registrou o pior resultado dos últimos 6 anos para o Dia das Crianças.
Quem mais sofreu com o tema, não foram as crianças, mas as consultas para vendas a prazo, que segundo as entidades tiveram uma retração de 8,95% durante a semana da criança, ou seja, do dia 5 ao dia 11 de outubro. Curiosamente, e demonstrando que a economia já estava há pelo menos 16 meses em retração, no ano passado as vendas para o período já haviam caído em 1,5%.
Mas, nem tudo é noticia péssima, também há espaço para notícias ruins, somente ruins… Pois, segundo uma pesquisa da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) a queda do faturamento foi de 3,4% em relação as vendas do ano de 2014, ou seja, um número não tão estridente como o de consultas de vendas a prazo.
Infelizmente esses números somente vêm a comprovar a forte e intensa recessão que permeia a nação, pois esta é a quinta data comemorativa que o setor do comércio tem que amargar neste ano. Porém, continuando com as notícias péssimas, o Dia das Crianças foi o que apresentou os números mais pessimistas de todas as datas comemorativas (Páscoa, Dia da Mães, Dia dos Namorados e Dia dos Pais), deixando de circular na economia cerca de R$ 9,5 bilhões somente na citada semana da criança.
Mas, ainda mais infelizmente (mesmo porque a maioria das crianças se contenta com pouco) é o quadro que vem se pintando para as vendas do comércio para as festas de final de ano, que se confirmarem a curva de recessão devem bater o recorde histórico, mesmo porque o desemprego vem aumentando e a economia vem se deteriorando continuamente. Acredita-se que se deve apostar numa queda de 5% para as vendas de Natal.
Lamentavelmente os adultos erram na escolha de seus representantes e as crianças é que tem que amargar presentes mais baratos e pelo jeito não será somente no Dia das Crianças…
Alvaro Concha é consultor de empresas