EMPÓRIO DO EMPRESÁRIO: E agora até a China?

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Atualizado há 11 anos

Durante esta semana e a passada recebemos muitas noticias econômicas da China, este país que hoje é a segunda economia do mundo, numa visão míope. Míope, pois essa estatística analisa apenas o que aquela economia produz em números absolutos, não em números proporcionais, pois se considerado o PIB per capita (PIB dividido pelo número de habitantes) essa economia é a 113ª melhor economia do mundo, perdendo inclusive para o Brasil, a 101ª.

Porém, a China, temos que reconhecer, é um gigante e merece respeito, pois até pouco tempo atrás amargava números muito piores que o de nossa nação e nos ultrapassou num ritmo de crescimento de seu PIB entre 9% a 11% ao ano (7,4% em 2014). E, se analisarmos com frieza, a China sempre foi uma potência mundial, porém e somente com o advento da revolução comunista no final da década de 1940, o país se tornou um país de pouco destaque econômico, voltando agora, na década de 2000, a recuperar seu prestígio e sua merecida posição de destaque.

Não obstante, o mundo se acostumou, a partir da década de 80 a um crescimento frenético da economia chinesa e agora, quando o país demonstra perda do vigor, todos ficam preocupados. Mas, na realidade, o que ocorre é que aquela nação conseguiu formar uma classe média em tempo recorde (representando hoje 25% da população, ou seja, 300 milhões de chineses e a estimativa é que esse número dobre até 2025, ou seja, 600 milhões) e agora, essa mesma classe média luta por melhores condições de trabalho e de renda, o que fez com que o ritmo de crescimento daquela economia se reduzisse. E como afirma Matthew Ferchen, professor de relações internacionais da Universidade Tsinghua (Pequim), “é forte o debate interno sobre como a China deve evitar a chamada ‘armadilha da renda média’ – quando um país cresce da pobreza, mas estanca antes de se tornar uma nação avançada”. O que se viu em outras nações, hoje consideradas avançadas foi que com o crescimento da classe média houve uma maior exigência quanto a gestões democráticas e campanhas ambientais, o que torna o crescimento econômico menos acelerado.

Mas voltando ao tema da economia, o que se viu na semana passada foi a desvalorização do Yuan em 4% (a maior desvalorização desde 2005), através da imposição do Governo Federal daquela nação que considerou que a valorização do dólar americano é um dos entraves ao crescimento da economia chinesa. De fato, o maior consumidor de produtos chineses são os Estados Unidos, e a desvalorização da moeda chinesa faz com que os produtos chineses fiquem mais baratos para os norte americanos. Uma jogada inteligente e simples tendo em vista que as exportações do país oriental caíram em 8,4% neste ano.

O fato é que para nós brasileiros está difícil comprar qualquer mercadoria, seja da China, do Japão ou dos Estados Unidos, pois com a valorização do dólar, perdemos toda a pouca capacidade de importar que tínhamos e teremos que ficar admirando a China distanciar-se ainda mais da nossa realidade. Não é fácil jogar num time que está perdendo!!!

Alvaro Concha é consultor de empresas

(alvaroconcha@gmail.com)

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