Considerado como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX, o inglês defendeu uma política econômica de intervencionismo do Estado, através da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias a fim de assimilar os efeitos adversos dos ciclos econômicos – recessão, depressão e booms. Esses investimentos se direcionariam principalmente à área de infraestrutura, como por exemplo estradas, ferrovias, portos, energia elétrica. Seu nome nunca foi tão citado como logo após a Segunda Guerra Mundial e após a grande crise da década passada, que ainda nos esforçamos para acreditar que em breve será vencida. Entre os que utilizaram sua teoria está o presidente Barack Obama e até mesmo seu antecessor o cro-magnon, George W. Busch.
Já, prá cá, para os lados do Hemisfério Sul, mais especificamente num certo país do futuro, os grandes teóricos são pouco relevantes, pois cada um que passa pelo poder, apesar da nula relevância acadêmica, da ínfima experiência administrativa e da mínima capacidade gerencial que possuem, procuram antes de tudo ensinar aqueles que aprenderam com os melhores. No mínimo petulância.
Desde que iniciei meus trabalhos no ambiente acadêmico, ou seja, há mais de 15 anos, venho divulgando os números e reforçando sempre a ideia de que precisamos investir mais em Infraestrutura logistica e de que o país é minimamente administrado em direção ao crescimento. Em 2013 a revista Veja divulgou o quadro abaixo, reforçando o que foi naquela década e meia (1998-2013) investido em infraestrutura e o resultado do crescimento de seu PIB, conforme quadro abaixo:
| Investimento
(em relação ao PIB) |
Crescimento do PIB (média) | |
| Brasil | 20% | 3,7% |
| Rússia | 24% | 4,1% |
| Coreia do Sul | 28% | 4% |
| Chile | 24% | 5,8% |
| Peru | 25% | 7,3% |
| Índia | 32% | 6,7% |
| China | 46% | 9,2% |
Se formos considerar o quadro, devemos ponderar que o investimento médio deveria ser da ordem de 5% do PIB ao ano, como é o caso da China. Obviamente que não há uma receita pronta para alcançar os níveis chineses de crescimento do PIB, mas uma coisa é certa esta nossa receita está longe de ser a correta, quem dirá a ideal. Só temos o tamanho que temos, por força da incapacidade administrativa que impera.
E por isso, a CNI – Confederação Nacional da Indústria realizou um estudo, de 2014, divulgado nesta segunda-feira, dia 18 de julho, que nos informa que 54,3% dos investimentos realizados no país em infraestrutura logistica são provenientes de bolsos privados. Interessante apontar que desses 54,3% quase a totalidade do montante vem, na verdade de bolso estatal, leia-se BNDES, Tesouro Nacional e Caixa Econômica Federal, somando surpreendentes 83% do total. O que são números positivos.
Porém, do investido em transporte, a grande maioria foi destinado ao modal rodoviário como mostra o quadro ao lado, aumentando ainda mais o abismo que nos separa de uma matriz de transporte ideal. É assim que nossa mercadoria perde competitividade e nosso país deixa de crescer aos níveis que merece, não é só a corrupção (e os prefeitos asfalteiros de ano político) que estão nos causando inanição.
Se Keynes nos desse a honra de sua presença, ele concordaria com a minha alfinetada!
Alvaro Concha
Consultor de Empresas