Empório do Empresário: Existe Deus nas empresas?

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Atualizado há 11 anos

“Você matou Deus”. Foi a acusação que Charles Darwin recebeu quando estava prestes a publicar a sua teoria da evolução das espécies. E assim como Darwin muitos empresários parecem haver matado Deus dentro de suas empresas.

Numas das suas mais espetaculares aventuras o homem comum se lança a organizar uma estrutura geradora de lucros e dividendos. Uma estrutura que exige diversos recursos, entre eles tecnológicos, financeiros, tempo, atenção e, quando possível, alguma carga de relacionamento político. Todos esses recursos são finitos e praticamente todos eles escassos. Até aí tudo parecia fácil administrar, praticamente todos os recursos eram, com uma ou outra exceção, lógicos e racionais.

A aventura torna-se interessante e os negócios começam a prosperar. Era o momento de crescer e ampliar a estrutura. Iniciam-se os negócios em escala industrial e, simultaneamente, foi necessário contratar funcionários, ensinar-lhes seu rubro e impor-lhes controles para que as características do produto permanecessem as mesmas. Heilbroner em seu fantástico “A história do Pensamento Econômico” nos lembra como eram as condições de trabalho do início da era industrial, mais precisamente no século XVIII: “no norte da Inglaterra quem tivesse coragem de descer nas minas de Durham ou de Northumberland, veria algo muito diferente. Nesses locais, homens e mulheres trabalhavam juntos, despidos da cintura para cima e muitas vezes reduzidos a um lamentável estado subumano de pura exaustão. Os mais selvagens e brutos costumes estavam presentes ali; os apetites sexuais despertados por um olhar eram satisfeitos ali mesmo naquele ambiente horrível; crianças de sete a dez anos, que jamais viam a luz do dia nos meses de inverno, eram usadas e abusadas, recebendo dos mineiros um mísero pagamento para carregar as tinas com carvão…”.

Desde lá, tudo mudou. Porém, o homem continua sendo muito mais complexo, ilógico e inconstante que as máquinas que lhe auxiliam os trabalhos, e por isso os investimentos que lhe são necessários devem ser constantes e irrevogáveis.

Porém, infelizmente, o que se vê ainda, em muitas empresas, é que os seres humanos são tratados como seres mais descartáveis que as máquinas, contradizendo o que a própria ciência nos mostra de que ser humano motivado produz qualidade, reduz a rotatividade, o absenteísmo trazendo mais lucro e, ao contrário, pode trazer prejuízos através de baixa qualidade, sabotagens, entre outras. É necessário que se trate bem o ser humano das empresas por motivos cristãos ou religiosos, mas se não for por motivos filosóficos, que seja pela mesma ciência. Choca verificar como desonestidade, arrogância, crueldade, desfaçatez, egoísmo e inabilidade em gerir equipes mais parecem uma obrigação empresarial do que um mal a ser combatido. A impressão que se tem é que todos acreditam em Deus, mas que ele não está nas empresas.

Que se adequem os visionários e aqueles que desejam manter-se ativos.

 

Alvaro Concha é consultor de empresas

(alvaroconcha@gmail.com)

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