Todos sabemos que somente através do trabalho podemos construir uma vida digna e um caminho de admiração. Na verdade é uma constante ouvirmos histórias de pessoas que julgamos serem bem-sucedidas e que sua trajetória, via de regra, se baseia em trabalho, trabalho e trabalho.
Apesar de não acreditar que essa seja uma verdade absoluta, ou seja, que todos os que muito trabalham são bem-sucedidos, acredito, sim, que o trabalho dignifica. Mas qual a quantidade de tempo mais adequada ao ser humano? Qual a jornada diária de trabalho pode ser considerada como digna?
Apesar de ser uma resposta que pode parecer óbvia, ela está relacionada com a cultura de cada povo. Enquanto no Brasil, a jornada normal de trabalho é de 44 horas semanais, alguns outros países poderiam considerar essa jornada como injusta ou até mesmo irresponsável. Na Alemanha, por exemplo, uma vez questionado sobre a possibilidade de reduzir a carga horária trabalhista de seu país, o ex-primeiro ministro alemão Helmut Kohl respondeu que seu país “corria o perigo de se transformar num “parque de lazer coletivo”. A Alemanha tem carga horária de 41,2 horas/semana.
Já na década de 1930, os EUA e a Europa Ocidental criaram leis fixando a jornada de trabalho semanal em 40 horas. Por outro lado, nos países orientais como na Coréia do Sul, trabalha-se aproximadamente 55 horas/semana, sendo que o salário mínimo é de US$ 904,00 (R$ 2.847,88 na cotação desta quarta-feira, 26).
Na verdade, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os países com as 8 maiores cargas horárias trabalhistas são em ordem decrescente:
- México.
- Japão.
- Portugal.
- Canadá.
- Estônia.
- Áustria.
- China.
- Nova Zelândia.
O Brasil, por outro lado, manteve uma jornada de 48 horas/semanais – além de 12 horas extras permitidas por lei – até 1988, quando a Constituição foi alterada. Agora a média é superior a 40 – para ser exato, 40,9 horas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) feita pelo IBGE em 2008. Embora a média seja menor que a jornada máxima prevista na legislação trabalhista, esse mesmo levantamento revelou que 33% dos brasileiros trabalha mais que 44 horas semanais. E que 20% vai além das 48 horas por semana.
O fato, pelo breve estudo que tive para ter lastro de conhecimento para escrever este artigo, ficou-me demonstrado que o problema não é tanto a carga horária, mas sim o salário que o trabalhador recebe para executar essa carga horária. Mas fica a conclusão de que de preguiçoso, o brasileiro pouco tem. O que falta é aprender técnicas e aprender a dominar seu governo…
Alvaro Concha é consultor de empresas