EMPÓRIO DO EMPRESÁRIO: O país e seu e-commerce

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Atualizado há 10 anos

Sempre fui da opinião de que a grande força do país é seu empresariado, isso exclui duas forças importantes do que considero o tripé da tecnologia de qualquer país que realmente deseja crescer consistentemente (os outros dois sustentáculos do tripé seriam a educação e o governo). Se não fosse seu empresariado, o Brasil não estaria entre as 7 grandes potências econômicas. Além disso, como forma de me projetar, sempre idealizei que vender mercadorias para a América Latina seria uma saída muito interessante para qualquer empresário, e o é. Porém, vender para o Brasil possibilita muito mais alternativas. Vamos imaginar que a Argentina cabe dentro do estado de São Paulo, o Uruguai cabe em Belo Horizonte e sua região metropolitana, o Chile no estado do Rio de Janeiro e a Bolívia em Belo Horizonte. Porém, para os outros países sempre há a diferença de idioma, os penosos processos de exportação, além das inconstâncias de consumo desses vizinhos causadas pelas economias espalhafatosas que alguns dos países possuem. Sempre digo que trocaria um mercado brasileiro por toda a América do Sul. A grande dificuldade de se negociar com o Brasil são as enormes distâncias e os lugares inacessíveis, como por exemplo o Amapá, para onde uma mercadoria demora algo em torno de 17 dias para chegar (para os EUA demora 20).

E entre as empresas, uma realidade, um mercado que vem se destacando muito são as vendas através da internet. Uma das qualidades desse tipo de venda é que elas não têm fronteiras (para as vendas, não para as entregas) e, além, elas não precisam ser realizadas por empresas de grande e médio porte, qualquer empresa, independente de seu tamanho pode vender e, até, exportar. É uma evolução do mercado, assim como quando os pequenos insetos (e alguns répteis) evoluíram e conseguiram se igualar em poder de defesa produzindo veneno, atualmente as pequenas empresas podem ter suas defesas e seus diferenciais de mercado, sendo competitivas.

O que demonstra essa realidade é que, apesar de toda a incompetência do governo federal e de sua pseudopolítica econômica bolivariana, o comércio eletrônico brasileiro teve um crescimento de 15% em 2015 em relação a 2014, é o que demonstra a 33ª Edição do Relatório Webshoppers E-Bit. O ano internauta brasileiro só não foi de bonança como foi histórico, somando um faturamento de R$ 41,3 bilhões, representando um total de 4,1% do total do varejo e um total de 60 milhões de consumidores. Esses números são inclusive melhores que os do comércio eletrônico europeu que teve um crescimento de 14%, atingindo a cifra espetacular de € 424 bilhões, representado um total de 13% do total das vendas do varejo.

O fato é que se os empresários tem que comemorar com esses números, eles tem muito mais a planejar, projetar e a investir, pois estima-se que as vendas eletrônicas representam somente 0,9% do PIB nacional (chamado de e-PIB), sendo que em países como a China e o Reino Unido essa cifra chega a mais de 5%. Além disso, comprovando a teoria da evolução das espécies empresarial, as PME´s representam 80% dos volumes de vendas da internet.

O cenário é otimista, o presente mostra bons números, só falta o governo fazer sua parte e proporcionar uma infraestrutura que possibilite cada vez mais o escoamento da venda eletrônica e os empresários fazerem a sua e investirem no setor. O futuro chegou!

Alvaro Concha é consultor de empresas

(alvaroconcha@gmail.com)

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