EMPÓRIO DO EMPRESARIO: O primeiro industrial brasileiro

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Atualizado há 10 anos

Em homenagem ao nosso dia da independência e objetivando levantar o ânimo dos empresários que se sentem expatriados com a nova realidade política e econômica do país trago a história deste nobre empresário brasileiro.

Não à toa recebe os títulos, primeiro de Barão e depois de Visconde, Irineu Evangelista de Sousa ou mais conhecido como Visconde de Mauá é considerado como um dos principais representantes dos primórdios do capitalismo na América Latina, símbolo dos empreendedores brasileiros do século XIX e o primeiro grande industrial do Brasil.

Nascido no Rio Grande do Sul, em 1813, na vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio Grande, hoje somente Arroio Grande, uma cidadezinha que atualmente tem pouco menos de 19.000 habitantes, filho de proprietários de pequeno imóvel rural, o menino foi mandado embora de casa aos 8 anos, porque seu padrasto não queria sustenta-lo. Primeiro foi morar na casa de um de seus tios no interior de São Paulo (onde foi alfabetizado), após, aos 9 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para viver com outro tio. Nessa época, nessa tenra idade, cuidava de um estabelecimento de secos e molhados, que vendia inclusive escravos, a maior fonte de receita de seu patrão. Provavelmente nessa época, iniciou sua aguçada filosofia anti-escravocrata, que lhe seguiria até o último dia de vida.

Em 1930, foi contratado por um empresário escocês do ramo do comércio exterior, de quem aprendeu inglês, contabilidade e técnicas de negociação. Logo após, em 1936, torna-se gerente da empresa e, em poucos anos, 1839, torna-se sócio.

Mas foi numa viagem que realizou à Inglaterra, que o Visconde, ao ter a oportunidade de conhecer algumas fábricas e alguns negócios verificou como o Brasil encontrava-se atrasado em seu parque fabril e poderia ser-lhe uma oportunidade.

Mas foi a partir de 1846 que o Visconde de Mauá inicia seu crescimento empresarial astronômico, adquirindo uma pequena fundição em Niterói e transformando-a num estaleiro. Em um ano, conta a história, o estaleiro já estava multiplicado por 4 sendo, então, considerado o maior empreendimento industrial do país ao empregar aproximadamente 1.000 funcionários. Até 1857 o estaleiro já havia construído mais de 70 embarcações, desde navios negreiros até embarcações bélicas, porém após a lei que isentava os navios estrangeiros de entrar no Brasil, sua empresa vai a falência, porém o empresário já tinha lastro financeiro, aos 40 anos de idade, para continuar apostando no futuro do país.

Com a proibição do tráfico negreiro em 1850, os investidores brasileiros começaram a direcionar seu capital para a industrialização e obviamente que o Visconde estaria entre esses investidores. Iniciou, então investimentos em iluminação pública (na época a óleo de baleia), diversas ferrovias, bondes puxados por burros, embarcações de transporte no Amazonas, bancos no Brasil e no Uruguai (considerado o primeiro banco daquele país), além de possuir a Casa da Moeda tanto do Uruguai como o da Argentina.

Pelas próprias origens do universo empresarial sempre defendeu a visão liberal de Adam Smith e sempre se mostrou a favor da libertação dos escravos o que lhe causou inúmeros desafetos. Veio a falecer, em outubro de 1889, pouco depois da Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel conceder a Abolição da Escravatura no Brasil, em 1888, e pouco antes da Proclamação da República, em 15 de novembro daquele ano. No auge de sua carreira, somou uma fortuna que beirava, transformando para valores atuais US$ 60 bilhões, enquanto que o orçamento anual de todo o Império do Brasil era de pouco mais de US$ 50 bilhões.

Alvaro Concha

Consultor de Empresas

alvaroconcha@gmail.com

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