EMPÓRIO DO EMPRESÁRIO: Transporte: um problema grave do Brasil

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Atualizado há 10 anos

Enquanto alguns países dispendem na média de 12% de seu PIB em transporte, o Brasil amarga índices bastante maiores. Essa realidade se reflete em que regiões inteiras e cidades como Manaus, Macapá, Boa Vista tenham crescimentos pífios e índices de desenvolvimento aquém do que deveriam. Como por exemplo, podemos citar que em algumas operações a influência do frete sobre o montante total da operação chegará a 30% se a mercadoria sair do sul do país. Resultado: a transação não ocorre e a população daquela região fica sem acesso ao produto! Entendo perfeitamente que essa é uma visão puramente capitalista, porém, “ter acesso” também auxilia a aumentar o nível de qualidade de vida de qualquer cidadão.

Para solucionar essa temática complexa, o governo chamou para si a responsabilidade de resolver os problemas logísticos do país e para quantificar esses esforços a CNT – Confederação Nacional do Transporte realiza uma pesquisa anual que intitulou de Anuário CNT do Transporte e que foi divulgada nesta segunda-feira, 30. Os resultados de 2015 são bastante interessantes, apesar de desalentadoras.

A pesquisa mostra que o número de rodovias pavimentadas cresceu numa média de 1,5% ao ano. Para se ter uma ideia, em 2001 o país tinha 170,9 mil quilômetros de estradas pavimentadas, em 2015 esse número cresceu para 210,6 mil quilômetros, contabilizando um aumento de 23,2%. Importante lembrar que o transporte rodoviário é responsável por 60% da mercadoria transportada no país (muito, se comparado a países desenvolvidos, onde esse percentual se resume a 30% do total). Destarte, a pesquisa demonstrou que, no mesmo período, a frota nacional cresceu em 184,2%, na média, contando com um total de 90,7 milhões de veículos, nesse número incluídos caminhões, automóveis, ônibus, motos, tratores, bondes, reboques, semirreboques, entre outros (só o número de motos aumentou em 400%).

O resultado todos nós já sabemos: trânsito, rodovias lotadas de veículos (sejam eles de passageiros, sejam eles de transporte de carga), aumento do número de acidentes, entre outros, que vemos todos os dias registrados nas manchetes dos jornais.

Já no transporte ferroviário, os números são mais alentadores, pois em 2006 o país contava com um índice de TKU (tonelada por quilometro útil) de 238,3. Em 2015 esse índice subiu para 331,7 TKU, um crescimento de quase 40%, ou seja, uma média de 4,5% ao ano. No transporte aquaviário de longo curso, os números são melhores ainda, com um crescimento de 5,4% em 2015 em relação a 2014. Já na cabotagem (navegação dentro do próprio país). Importante lembrar que esses dois modais estão praticamente entregues em sua totalidade à iniciativa privada…

Infelizmente ficou registrada mais uma vez a incompetência de um governo incapaz de planejar e de projetar um futuro melhor para seus cidadãos e para a qualidade de vida de seu povo, não bastava só aumentar o acesso ao crédito…

Alvaro Concha é consultor de empresas

(alvaroconcha@gmail.com)

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