EMPÓRIO DO EMPRESARIO: Um vendedor de banha

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Atualizado há 10 anos

Atualmente parte de seu patrimônio está desmoronando apesar de ainda existir, mais de 70 anos após sua morte. Em Jaguariaíva, no Paraná, onde além de um frigorifico gigante, tinha um palacete e todo o complexo em que está inserido deve ser tombado como patrimônio público. Em Antonina seus moinhos de açúcar, trigo, sal e erva mate, além de seu porto particular também devem ser tombados. Já na Avenida Paulista em São Paulo (o metro quadrado mais caro do Brasil), sua mansão de uma quadra se mantem imponente e em perfeito estado de conservação e ainda pode ser apreciada à distância. Suas fábricas e armazéns em São Paulo também podem ser vistos em alguns dos diversos bairros da capital paulista.

Nascido em 1854, na Itália, na cidadezinha que hoje tem pouco mais de 8.000 habitantes, 120km ao sul de Nápoles, Franscesco Antonio Maria Matarazzo, devido à morte do pai, precisa desistir dos estudos vende o pouco que tem e compra tudo em banha, trazendo-a como mudança, aos 27 anos para o Brasil. Aqui chegando, juntamente com a esposa e mais dois filhos, descobre ainda no porto que tinha perdido tudo e com o que lhe restava de dinheiro vai para Sorocaba, no interior paulista, onde monta um armazém de secos e molhados. Após alguns poucos anos resolve montar uma fábrica de banha também em Sorocaba, e, logo depois, uma em Capão Bonito e outra em Porto Alegre, inundando o país em banha enlatada.

Assim como nos tempos modernos, já naquela época haviam governos bons e governos fracos, o do Marechal Deodoro da Fonseca, na famosa Crise do Encilhamento, (uma bolha econômica tupiniquim), favoreceu quem estivesse se desfazendo de seu patrimônio para ficar se capitalizar e foi justamente o que Matarazzo fez: vendeu seus moinhos, e se concentrou na atividade de importação, principalmente de farinha de trigo dos Estados Unidos e de arroz da então Cochinchina (atual parte do Vietnã), sediando-se agora, perto do Mercado Público de São Paulo.

Com o passar do tempo as dificuldades cada vez maiores de importar a farinha norte-americana fizeram com que o empresário importasse farinha argentina, o que lhe permitiu um crescimento vertiginoso, e com o capital montou um moinho de farinha no país. Inicia-se então sua mais marcante característica empresarial: a capacidade de montar negócios complementares. A farinha precisava de sacos, montou uma tecelagem para fabricar sacaria. Os sacos precisavam de algodão, montou uma fábrica de beneficiamento de algodão, um cotonifício. Com as sobras de caroço de algodão montou uma fábrica para extração do óleo do algodão. Como o óleo exigia latas, montou uma metalúrgica. Um dos subprodutos do algodão permitiu-lhe montar uma fábrica de sabão, utilizando-se do sebo, da estearina e da glicerina, envolvidos na produção do sabão, permitiu-lhe montar uma fábrica de velas e ao perceber que precisava de caixas para transportar e vender todos esses produtos montou serrarias em São Paulo e no Paraná. Não sobram dúvidas que depois montou uma indústria de móveis e outra de pregos.

Comprou ainda, navios que lhe permitiam realizar cabotagem, montou um banco, um frigorifico, uma refinaria, fazendas, entre outros negócios, que segundo se comenta eram mais de 365, um para cada dia do ano.

Após se identificar com Mussolini, declarar-se fascista, receber o título de Conde e ser considerado como um representante da república italiana no país em 1931 recebe uma oferta de um banco inglês, talvez única na história da humanidade, a de receber “crédito ilimitado”.  Morre aos 83 anos deixando 14 filhos e uma fortuna que, no então, era a quinta maior do planeta.

Como curiosidade, conta-se que em determinada manhã Matarazzo solicita a seu alfaiate a confecção de um terno. O alfaiate surpreso, lhe diz: “ontem seu filho veio aqui e pediu para fazer-lhe 7 ternos e você que é o patriarca me pede somente um, tenha bondade!”. Francisco respondeu-lhe: “eu não tenho um pai rico”.

Alvaro Concha

Consultor de Empresas

alvaroconcha@gmail.com

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