ESPAÇO CULTUAL: Adalberto, o Tupi…

·
Atualizado há 10 anos

Por Therezinha Wolff

Quando o conheci jovenzinho bem comportado, despertava ele seu talento para a música.

Seus olhos azuis brilhavam enquanto manejava um acordeon.

Aluno do Ginásio Casemiro de Abreu, em Porto Vitória, dava o tom das melodias interpretadas por um grupo de colegas que, integrados, formavam pequeno coral.

A cada música uma emoção e sequência a carreira do músico que futuramente seria revelado numa agenda de apresentações.

Seu maior desafio na época, 1973, foi no palco do Colégio Túlio de França em semana de homenagem a Pátria.

O pequeno coral de Porto Vitória fora convidado para abrir o programa.

Vindo em condução cedida pelo prefeito da época, senhor Nestor Reis, de saudosa memória, os integrantes enfrentaram as dificuldades da estrada, cujas curvas acompanhavam o Iguaçu.

Chovera naquele final de inverno e a lama dificultara a transposição de certos trechos. Como não poderia deixar de acontecer, alguns pequenos cantores tiveram perturbações estomacais.

Nada que abalasse o entusiasmo do grupo e o impedisse de se apresentar.

No palco, o jovem acordeonista fez ressoar a introdução da bela obra de Carlos Gomes, “O Guarani”.

Acordes que servem de prefixo ainda hoje para a transmissão radiofônica da Hora do Brasil.

As vozes projetaram-se para uma plateia selecionada onde estavam autoridades municipais, militares, eclesiásticas, professores e estudantes.

Pessoas que erguendo-se de suas acomodações aplaudiram com veemência.

Confesso, ainda hoje, a emoção aflora quando lembro daquela cena.

Cumprimentos vindos de todos os presentes ao final do programa, reconheciam o talento do jovem músico.

Passado o tempo, encerradas as aulas do ginasiano, com mudança minha e da família para a capital do Paraná, não mais acompanhei a trajetória do acordeonista.

Desde então, quando retornamos a Porto União e assumi um trabalho na cultura, o músico demonstrou suas habilidades em outro instrumento.

Revelava-se um tecladista, frequentemente solicitado para abrilhantar diversas programações não somente em Porto União e União da Vitória como em outras localidades.

Com um repertório variado sua presença estava ligada aos acontecimentos educacionais, cívicos, religiosos e sociais.

Intensa foi sua participação musical nos encontros do “Grupo da Amizade”, ao qual homenageei num dos últimos espaços deste Jornal.

Também na realização das Tertúlias, num trabalho voluntário, ele estava sempre a disposição das entidades que a ele recorriam para as apresentações.

Uma pessoa atenciosa e bem educada da qual, penso, tive uma pequena parcela, fato que me envaidece.

Educação para servir a todos os momentos, um suporte à vida com humildade e sem presunção.

O estudante, o jovem, o chefe de família, o músico profissional que guardo na memória deixou nosso convívio no último dia 19: Tupi, como era conhecido por seus familiares, amigos e parceiros de profissão.

Para sempre, Adalberto Litzmeyer.

Pessoa sem grandes ambições, valorosa, soube lidar com os desafios impostos à sua caminhada palmilhando flores e espinhos, alegrias e as dores do infortuno.

Hoje, no sétimo dia de seu falecimento, rogo ao Senhor que trouxe-o para nosso convívio, que ilumine-o na senda da outra vida, recebendo-o com um abraço e o carinho de pai.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!