Nos dias que antecedem ao Natal o trabalho voluntário é sempre mais evidente. Todos tentam aprimorar o ser, nem sempre com a mão do dever, mas com o sentimento de amor, confiança, justiça e solidariedade.
Buscam a proteção divina que, no outro lado da balança, faz com que as pessoas tenham o equilíbrio perfeito. Todos pensam em ser um escudo do bem dentro de uma justiça mais forte e um amparo consistente.
O trabalho voluntário, entretanto, para muitas pessoas é algo persistente e resistente em todos os dias da vida.
É a mãe que tem nos braços o filho, drogado, doente, mas o coração em pedaços que lhe traz conforto. É o homem desempregado que encontra alguém para fazer-lhe a diferença na vida.
É a criança que espera ansiosamente por um brinquedo, um pacote de doces e recebe através de alheios atos a satisfação que se reflete no brilho do olhar daquele que doa e daquele que recebe.
Há, entretanto, como já falei, aqueles que abrem o seu coração permanente e desinteressadamente para ajudar o próximo.
Felizmente Porto União e União da Vitória possuem uma gama de pessoas que desde muito jovem reconhecem o valor de dividir e de empenhar-se para um lenitivo àqueles que necessitam.
Hoje, através desta coluna, entre tantas as pessoas que merecem reconhecimento em nossa sociedade, àqueles que tentam minimizar com palavras ou atos o sofrimento de alguém, a minha homenagem em nome de tantos é a uma pessoa cujo coração puro insiste em dividir sua alegria com os outros e que faz a diferença: Jurema Norberto Sckudlarek.
Embora nascida em Canoinhas fez das cidades de Porto União e União da Vitória o seu berço de solidariedade para com os mais necessitados.
Desde adolescente demonstrou sua vocação para trabalhos assistenciais. Quando ainda não se falava em Dia da Criança, promoveu uma festa e distribuiu guloseimas para os alunos da Escola Manoel da Silva Quadros, frequentada por crianças muito humildes.
Em Porto União, participando do Lar Espírita União muito se empenhou no atendimento a população carente, costurando principalmente para gestantes que lá compareciam em busca de roupinhas para o ser que esperavam.
Por muitos anos, a média por mês foi de 30 enxovais completos para bebê. A entrega dos mesmos era feita não somente na instituição espírita como também nos hospitais.
Membro da Ordem Rosa Cruz prosseguiu fazendo enxovais para recém-nascidos carentes.
Promoções beneficentes em geral sempre levaram o trabalho de Jurema.
Quando da enchente de 1983, ela residindo próximo à linha férrea, fazia pães em sua casa e os distribuía as famílias que procuravam naquela ocasião procuraram abrigo nos vagões da ferrovia.
Na massonaria de Porto União empenhou-se arrecadando roupas, selecionando-as e distribuindo-as.
Mas o dinamismo dessa voluntária foi em parte detido quando um câncer de mama exigindo-lhe tratamento cirúrgico e quimioterápico. Entretanto, esse rol de virtudes não a abandonou.
Filiando-se a Rede Feminina de Combate ao Câncer confeccionou gratuitamente próteses de mama com recursos disponíveis na época. Próteses preenchidas nada mais nada menos que com alpiste (comida de passarinho).
Hoje, Jurema é a costureira mor da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Faz trabalhos de reaproveitamento em tecido, de divulgação, palestras, campanhas de prevenção ao câncer e participa dos desfiles cívicos, levando o nome da Rede Feminina de Combate ao Câncer para as ruas.
Homenageando àqueles, que de uma forma ou outra, realizam trabalhos voluntários nas diferentes camadas da sociedade, endereço a todos esta coluna em nome de Jurema Norberto Sckudlarek, desejando-lhe que o Menino a renascer deixe uma réstia de luz em seus caminhos para que suas atitudes encontrem sempre no idealismo a barreira que separa o poder da ambição.