INTERNET: Sobra informação, falta interesse

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Atualizado há 11 anos

Você consegue imaginar o seu dia a dia sem internet? Eu tenho certeza de que a resposta é “não”. O mundo virtual é realidade para praticamente metade dos brasileiros. O último levantamento do IBGE mostrou que o número de usuários cresceu 50% em cinco anos, o que naturalmente impulsiona a produção e o compartilhamento de informação e conteúdo. O problema é que, paralelamente ao conhecimento, a web tem também uma generosa quantidade de lixo cultural, alimentado pelos comentários de ódio e críticas sem critério e que tem público cativo e cada vez maior.

A filósofa Marcia Tiburi, autora do artigo “A arte de escrever para idiotas”, classifica esses “críticos” que vivem caçando cliques na internet com posts polêmicos e nada construtivos. Na opinião dela, estamos falando de pessoas que não estão abertas à experiência do conhecimento, usam e abusam de clichês e defendem sem nenhuma razoabilidade ideias sobre as quais nada sabem. Lamentavelmente, esses “escritores” são extremamente ativos no mundo virtual, aclamados e compartilhados. Muitas vezes, inibem o debate de ideias e a exposição de pontos de vistas diferentes de pessoas que têm muito mais preparo para falar de seus temas, mas que não estão dispostas a se expor ao ódio gratuito dos milhares de “sem noção” que frequentam as redes sociais.

Exemplo clássico é a divulgação de fotos e informações que envolvem governos. O tema comissionados é, via de regra, um dos campeões de audiência entre os comentários entre os “haters” – odiadores em tradução literal. Com posts nada realistas, expõem com orgulho sua total ignorância sobre o funcionamento dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Importante deixar bem clara a diferença entre aqueles que não sabem, porque muitas vezes não tiveram oportunidade ou mesmo interesse, e aqueles que não sabem, não querem saber e têm raiva de quem sabe.

Muita gente não sabe que o gasto do Governo do Estado com cargos comissionados corresponde menos de 1% do total da folha. Ou seja: esse não é o X da questão. Se a sociedade tivesse interesse em saber como e o que banca com o pagamento de impostos, talvez tivéssemos hoje mais gente apoiando as mudanças que estamos realizando na Previdência para equilibrar a conta e garantir que todos sejam pagos em dia no futuro. Santa Catarina tem hoje o quarto melhor Portal de Transparência do Brasil. E a grande maioria das buscas diz respeito a consulta sobre os salários dos servidores. Definitivamente, o que falta não é informação, é interesse.

Antonio Gavazzoni é secretário de Estado da Fazenda e doutor em Direito Público (contatogavazzoni@gmail.com)

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