OPINIÃO: É hora de programar o amanhã

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Atualizado há 10 anos

O último dia 17 foi histórico para o Brasil. Os deputados federais aprovaram a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma, primeiro passo para resgatar a seriedade do País. Vale ressaltar que, dos 30 representantes do Paraná, 26 disseram “sim” ao processo, enquanto quatro foram contra as vozes vindas das ruas e dos produtores rurais.

Esse saldo positivo, sem deixar dúvidas do descontentamento da população em relação ao governo atual, foi conquistado com muito esforço, trabalho e suor, tendo a FAEP papel importante no trabalho de mobilização junto aos deputados paranaenses. Fomos a Brasília, em caravanas com 1,5 mil produtores, para mostrar nossa insatisfação aos políticos. E atingimos o objetivo. Mostrando, mais uma vez, que o agronegócio paranaense é organizado e sempre se faz presente em fatos importantes, tanto no âmbito nacional como estadual.

Vencida esta etapa, resta ao Senado cassar de vez a presidente. Paralelamente é preciso programar o dia de amanhã. Ao término da aprovação do impeachment, o Brasil começará uma nova etapa que, sem dúvida, exigirá sacrifícios do povo brasileiro.

Não será possível fugir de uma arrumação geral da casa, até então saqueada pelos que assumiram o poder e transformada em circo por integrantes de movimentos sociais. Essa readequação passa por inevitáveis cortes orçamentários e aumento de impostos. Não haverá saída sem dor para resolver o grave impasse econômico atual.

Como todos os brasileiros, os produtores rurais vão continuar sofrendo por um bom tempo. O novo governo terá que ter consciência do papel fundamental que o agronegócio desempenha na economia brasileira, principalmente como o setor que gera superávits em nossa balança comercial, gera uma grande quantidade de empregos e assume a função de motor da renda em todo o interior do País. Ou seja: esperamos, no caso de que um novo governo, respeito, valorização da classe e reconhecimento do serviço que o agricultor realiza.

Todos sabem que os cofres públicos estão vazios em função da má administração dos últimos anos, mesmo assim terão que providenciar os investimentos necessários para movimentar a economia brasileira. Hoje são 10 milhões de desempregados, se somarmos os familiares são 40 milhões de cidadãos vivendo sem esperança de dias melhores caso o quadro econômico atual não seja revertido.

Novos investimentos são fundamentais para o resgate da confiança dos investidores e para a economia voltar a girar. Então, que novas parcerias público-privadas saiam do papel. A iniciativa privada tem capacidade de providenciar novos investimentos para criar as condições necessárias para dotar o País de uma infraestrutura capaz de alavancar todos os setores da economia, inclusive o agronegócio, de forma direta ou indireta.

Por incompetência, o atual governo não soube levar adiante esses projetos estruturais de suma importância. Foi incapaz de colocar novos editais de concorrência pública atrativos no mercado, com o objetivo que atrai as empresas privadas.

Sem dúvida, a vitória na Câmara dos Deputados foi o primeiro passo para impedir que o Brasil se transformasse em uma anarquia. Porém ainda teremos muitos desafios, trabalho e, sem dúvida, esforços para devolver um Brasil sério, correto e digno para nossos filhos e netos. A caminhada para resgatar a seriedade do Brasil ainda exige novas etapas que serão acompanhadas por nós agricultores, até a total retomada do Brasil aos trilhos do crescimento e prosperidade, deixando às margens da estrada toda a corrupção e desmando dos últimos anos.

Ágide Meneguette é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná

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