OPINIÃO: Sem filosofia e na escuridão

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Atualizado há 11 anos

Costumo dizer que teoria sem prática é desnecessário e prática sem teoria é escuridão, e é justamente isso o que assusta quando se veem empresas que são geridas por empresários que nunca ouviram falar de Taylor, de Ford ou até mesmo da Teoria Contingencial. Pela quantidade de passos que já dei nos corredores empresariais posso afirmar que poucos são os que têm a mínima noção do que sejam esses filósofos ou teorias da Administração, mas apesar da relevância da filosofia teórica administrativa é ainda mais grave gerir um país de 200 milhões de habitantes sem uma filosofia econômica.

É o que se vê, ou melhor, se lê nas entrelinhas das manchetes que estão relacionadas com a gestão federal. Fica claro como a administração federal está completamente na escuridão, sem ter um rumo a tomar, apesar de que a formação de nosso gestor-mor (ou gestora-mor) ser Economista. Os números mostram essa realidade, apesar de que o país é um dos maiores perdedores em investimento em infraestrutura logística, pois historicamente somos incompetentes nesse quesito. O problema é que nessa escassez que a crise impõe a todos, inclusive ao governo, o que parecia ruim agora está pior, como é o caso dos investimentos em infraestrutura, pois no primeiro semestre de 2015 o montante do orçamento que foi destinado a infraestrutura é de pouco mais de R$ 9,4 bilhões, parece muito, mas é apenas 0,45% das despesas da União. O número assusta e fica ainda mais óbvio quando se verifica que o total que deveria ser destinado à pasta seria de R$ 2,08 trilhões. O fato é que embora esse montante esteja previsto no orçamento da união o desembolso não é obrigatório e, por isso, não foi e não será realizado, não devemos nem nos iludir.

E esse montante não será investido, não pela necessidade de poupar (visto que 5,0% da população está empregada em algum nível do governo, estimando-se em 11,1 milhões de funcionários públicos em todo o país), mas pela incapacidade e pela ignorância da teoria econômica. Se soubessem um pouquinho teriam buscado conversar um pouco com Barack Obama e se informar como o governo norte americano atuou na crise de 2008 (naquela época gerida por George W. Busch) baseando-se na teoria de Keynes que predica (de maneira simplificada) que em épocas de recessão é o estado o responsável por investir e “injetar” dinheiro, sem excessos (a fim de não incentivar a inflação) na economia responsabilizando-se por aquecê-la. Keynes, apesar de haver sido um capitalista moderado, prima que o destino desses investimentos devem ser direcionados a infraestrutura.

Não que essa teoria seja perfeita, ou que seja aplicável em qualquer momento de crise e em qualquer país do mundo, mas o que se nota é que assim como o fanfarrão Hugo Chávez, nosso governo também deseja criar uma teoria econômica e ganhar um premio Nobel de Economia (o que até o mais simplório de todos os brasileiros duvida). Pena é que nós somos as cobaias caminhando na escuridão provocada pelo governo.

 

Alvaro Concha é consultor de empresas

(alvarconcha@gmail.com)

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