Os nós da democracia

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Atualizado há 11 anos

O ideal de democracia vem sendo colocado à prova pela desconexão entre eleitos e eleitores. A insatisfação da população é generalizada e o modelo atual de democracia está em crise, preso a nós difíceis de desatar.

O primeiro nó é o peso da máquina pública. Sobrecarregamos o Estado com reivindicações e nos enfurecemos com a infraestrutura criada para atender nossos pedidos. Os governos, do outro lado, transferem a conta dos benefícios de hoje às gerações de amanhã. Quer um exemplo? Basta olhar o sistema judiciário brasileiro. Hoje são 95,1 milhões de processos nas mãos de 16,5 mil juízes, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça. O atual modelo de governança não delega, só acumula responsabilidades.

Outro nó é apertado pelos próprios eleitores. Desencantados, os brasileiros perdem o foco dos verdadeiros problemas políticos do país, brigam e se rotulam de “coxinhas” e “petralhas”, colocando a democracia em xeque. As prioridades da sociedade são ignoradas pelos 32 partidos políticos, 513 deputados e 81 senadores que protagonizam uma disputa diária de poderes. Formamos uma legião de insatisfeitos: 80% dos brasileiros não têm preferência por um partido político e 69,2% não estão satisfeitos com o funcionamento da democracia. Impulsionada pela comunicação, essa massa cresce e não há dúvida de que uma revolução está no ar.

Como mostra o livro “A quarta revolução”, leitura obrigatória no atual momento, essa revolução é a da informação. A bem-vinda ameaça a esse modelo sufocado de democracia vem de dentro, da proliferação de micro poderes, da redução de barreiras pela internet.

Não se pode ignorar essa nova realidade. É possível desatar os nós com um Estado mais estreito e sustentável, que reduza as promessas e melhore as entregas. A democracia ainda é o melhor sistema de governo que o homem já inventou, mas é preciso recriá-la. A mudança não será fácil e não faltarão defensores de direitos específicos. Mas, ao convencer as pessoas de que um Estado menos paternalista pode ser mais forte e eficaz, veremos nascer uma democracia realmente verdadeira.

 Antonio Gavazzoni é Doutor em Direito Público e Secretário de Estado da Fazenda

(contatogavazzoni@gmail.com)

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