Quem será o grande parceiro do Planalto Norte na conquista de novos mercados?

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Atualizado há 3 semanas

As tarifas americanas impuseram a necessidade de ampliar os destinos das exportações regionais e colocam diante do próximo governo de Santa Catarina o desafio de uma atuação mais presente em favor da economia do Planalto Norte.

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos colocaram diante do Planalto Norte uma questão que vai muito além das dificuldades imediatas enfrentadas por empresas que tradicionalmente encontraram no mercado norte-americano um dos principais destinos para sua produção. Em uma região cuja economia possui forte presença das indústrias madeireira e moveleira, de papel e celulose e de outros segmentos vinculados às cadeias de exportação, mudanças dessa natureza podem alcançar a produção, os investimentos, o emprego e a renda. Se as condições do comércio internacional estão mudando, a resposta não pode se limitar à reação às novas tarifas; é preciso ampliar os horizontes, identificar novos mercados e criar as conexões que permitam às empresas da região chegar até eles, uma tarefa que também coloca sobre o próximo governo de Santa Catarina a responsabilidade de estar mais presente e transformar sua capacidade de articulação em oportunidades concretas para a economia regional.

Essa realidade ganha dimensão ainda maior quando observamos a própria estrutura econômica do Planalto Norte, formada por municípios que possuem expressiva base industrial e produtiva, empresas com experiência no comércio exterior e cadeias que há décadas estabelecem relações com mercados de diferentes partes do mundo. Há conhecimento acumulado, capacidade empresarial e uma estrutura logística que conecta a produção regional aos portos catarinenses. Não estamos, portanto, diante de uma economia que precisa aprender a exportar, mas de uma economia que precisa ampliar suas possibilidades diante de um cenário internacional que mudou. A diversificação dos destinos passa a ser, nesse contexto, uma questão estratégica: acompanhar os movimentos da economia internacional, identificar oportunidades e aproximá-las daquilo que as empresas da região já sabem produzir.

Santa Catarina já vem movimentando suas estruturas de promoção comercial nessa direção, com a FIESC ampliando o trabalho de inteligência e aproximação com novos mercados, inclusive por meio de iniciativas recentes voltadas ao Norte da África, enquanto o Governo do Estado dispõe de estruturas próprias de articulação internacional e promoção econômica. A questão que merece ser colocada é como fazer com que essa capacidade alcance de maneira mais efetiva o Planalto Norte, aproximando suas empresas dos instrumentos de promoção comercial e das relações que podem abrir novas possibilidades de negócios.

Dentro desse horizonte, a África pode fazer parte da busca, assim como a Ásia, o Oriente Médio, a Europa e outros mercados que mereçam ser prospectados. Existem possibilidades que precisam ser conhecidas e avaliadas a partir daquilo que produzimos, das exigências de cada destino e das condições para que nossas empresas sejam competitivas. Cabe às entidades empresariais da região conduzir essa agenda, em articulação com FIESC, FACISC, ApexBrasil, Governo do Estado e os canais brasileiros de comércio exterior, aproximando empresas de informações, interlocutores e oportunidades que possam resultar em novos negócios.

A importância dessa agenda se torna ainda mais evidente quando se considera o impacto da atividade exportadora sobre uma região que, apesar de sua tradição industrial e de sua presença no comércio exterior, ainda enfrenta desafios econômicos e sociais que não podem ser ignorados. Exportar significa muito mais do que registrar resultados na balança comercial: significa sustentar empregos, movimentar fornecedores, estimular investimentos e irradiar efeitos sobre o comércio e os serviços. Quando uma empresa perde espaço no exterior, portanto, as consequências podem chegar muito antes de aparecerem nas estatísticas oficiais; quando conquista novos destinos, os benefícios também se espalham pelo território. É sob essa perspectiva que a diversificação das relações comerciais deve ser compreendida, como parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento econômico e social do Planalto Norte.

Em 2024, o Planalto Norte movimentou cerca de R$ 4,8 bilhões em exportações, reunindo 191 empresas exportadoras, e 42,5% desse comércio teve os Estados Unidos como destino. Como madeira e móveis representam parcela expressiva das vendas externas, a alteração nas condições de acesso ao mercado americano alcança uma parte importante da economia regional. O desafio, portanto, está em preservar os mercados já conquistados e, ao mesmo tempo, ampliar os destinos das exportações, reduzindo a concentração e criando novas possibilidades para as empresas do Planalto Norte.

Também merece atenção o próprio movimento que vem sendo realizado pelo setor produtivo. Em 2025, empresários do setor madeireiro de Canoinhas participaram do Itapoá Day, justamente para conhecer alternativas e vantagens logísticas para suas exportações. Ao mesmo tempo, o Porto de Itajaí, historicamente ligado à movimentação de madeira e seus derivados, retomou sua operação e registrou, em 2025, 27,8% de sua carga conteinerizada composta por madeira. São sinais de que a região possui não apenas uma base produtiva exportadora, mas também caminhos logísticos que podem ser melhor explorados à medida que novos destinos forem identificados.

Porto União, Irineópolis, Bela Vista do Toldo, Canoinhas, Três Barras, Major Vieira, Monte Castelo, Papanduva, Itaiópolis e Mafra formam um território de forte tradição produtiva, cuja dimensão econômica precisa ser considerada nas estratégias de desenvolvimento de Santa Catarina. As transformações do comércio internacional colocam novas questões para as empresas e tornam ainda mais importante a capacidade de articulação entre quem produz, quem conhece os mercados e quem tem a responsabilidade de formular políticas para o desenvolvimento. A escolha de 2026 ganha, assim, uma dimensão concreta para o Planalto Norte: o toque de dedos sobre a urna eletrônica definirá quem receberá a confiança para representar seus interesses, defender suas potencialidades e transformar demandas legítimas em decisões. Não se trata apenas de escolher um governante, mas de decidir quem estará preparado para compreender a força econômica dessa região e trabalhar para que ela conquiste o espaço que lhe corresponde nas decisões e nas estratégias de desenvolvimento de Santa Catarina.

SC │ Alisson Micoski • Advogado • Especialista em Direito do Consumidor • Articulista • Articulador e analista político

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