Maringá decreta calamidade pública após temporal causar estragos

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Atualizado há 2 horas

O temporal que provocou destruição em Maringá e em municípios da região Noroeste do Paraná, na madrugada desta segunda-feira, 2, pode ter sido provocado por um fenômeno conhecido como downburst.

A avaliação é do meteorologista Piter Scheuer, que analisou imagens de radar, dados meteorológicos e os estragos deixados pela tempestade. Segundo ele, os ventos podem ter ultrapassado os 100 km/h, com rajadas pontuais de até 150 km/h.

Em uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (2), o especialista explicou que diferentes condições atmosféricas contribuíram para a formação de uma tempestade severa. Entre elas, um sistema de baixa pressão, a entrada de ventos quentes e úmidos provenientes da região da Bacia Amazônica e uma perturbação nos níveis médios da atmosfera.

De acordo com Scheuer, a combinação desses fatores favoreceu uma intensa atividade convectiva, responsável pela formação de tempestades com potencial destrutivo. Ao analisar especificamente os danos registrados em Maringá, ele apontou o downburst como a principal hipótese para explicar o fenômeno.

O meteorologista também não descartou a possibilidade de breves tornados em pontos isolados do município. Segundo ele, algumas áreas apresentam características que podem ser compatíveis com a passagem de um tornado, embora a maior parte dos estragos seja atribuída, em sua análise, aos ventos descendentes.

O que é downburst e como o fenômeno provoca destruição?

O downburst é um fenômeno meteorológico caracterizado por uma intensa corrente de ar que desce rapidamente de uma nuvem de tempestade e atinge o solo, espalhando-se em diferentes direções. Esse movimento provoca rajadas muito fortes de vento, capazes de derrubar árvores, destelhar imóveis, danificar estruturas e provocar grandes prejuízos.

Na avaliação de Piter Scheuer, os ventos associados ao fenômeno em Maringá podem ter superado os 100 km/h, chegando a velocidades estimadas entre 120 km/h e 150 km/h em pontos específicos.

A diferença em relação a um tornado está principalmente na dinâmica dos ventos. Enquanto o downburst produz correntes descendentes que se espalham horizontalmente ao atingir o solo, o tornado apresenta uma coluna de ar em rotação, conectada à nuvem de tempestade e em contato com a superfície.

Temporal deixou milhares de imóveis sem energia em Maringá A dimensão do temporal também aparece nos dados registrados pelos órgãos de monitoramento. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Maringá acumulou 63,6 milímetros de chuva até as 11h desta segunda-feira (2).

As rajadas de vento também atingiram velocidades elevadas. Na estação meteorológica do Simepar, o maior registro foi de 81 km/h, às 3h30. Já no Aeroporto Regional de Maringá, os ventos chegaram a 96,3 km/h em três medições realizadas entre 3h11 e 3h17.

Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a rajada chegou a 96,8 km/h, às 3h30. No Noroeste do Paraná, o maior registro do Simepar ocorreu em Altônia, onde os ventos atingiram 109,1 km/h, à 0h30.

Além dos estragos em imóveis, árvores e estruturas, a tempestade provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica. Segundo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), aproximadamente 70,3 mil unidades consumidoras estavam sem luz em Maringá, o equivalente a 29% do município.

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