O brasileiro Markos Kozelinski, especialista em radiodifusão, está liderando um projeto de renovação da Rádio Nacional de Angola, a RNA. A intenção é expandir a cobertura e renovar completamente a infraestrutura da radiodifusão pública no país.
A iniciativa é financiada pelo banco federal americano de apoio à exportação, o EXIM Bank of the United States, em parceria com a multinacional GatesAir, uma das maiores empresas globais do setor de radiodifusão.
De acordo com Markos, o plano inclui a implantação de 33 novos estúdios, a instalação de 88 novos transmissores, a construção de 17 novas torres de transmissão, e a substituição e modernização de sistemas de antenas. “A RNA é a principal rede de rádio pública do país e já possui uma vasta estrutura nacional. Este projeto vem para modernizar e elevar esse sistema a um novo padrão tecnológico”, comenta.
Na prática, o processo que visa modernização a produção, a distribuição e a transmissão da RNA substituirá e ampliará a infraestrutura já existente, criando uma rede mais robusta e com maior capacidade de alcance. “Essa fase estabelece a base para uma radiodifusão moderna, integrada e preparada para crescimento futuro”, completa Markos.
O projeto surgiu da necessidade de Angola modernizar a rede pública de radiodifusão com base em padrões internacionais. O financiamento foi viabilizado pelo EXIM Bank, com execução tecnológica conduzida pela GatesAir. Markos atua como gestor geral do projeto pela GatesAir, sendo responsável pela coordenação da execução técnica, operacional e pelo alinhamento entre todas as partes envolvidas.
Para Markos, os principais desafios na empreitada são a escala territorial e logística complexa encontrada em Angola, além de seu papel de coordenação institucional entre múltiplos atores, a integração de novas tecnologias em uma rede existente, e a formação e adaptação das equipes locais. “Além disso, há o desafio de executar tudo isso em prazos exigentes, mantendo qualidade e confiabilidade”, aponta.

No Brasil e em Angola
Em Angola, a radiodifusão pública, liderada pela RNA, exerce papel central na comunicação. Para Markos, a radiodifusão no país africano se diferencia do brasileiro pelo estágio de desenvolvimento. Segundo ele, no Brasil o sistema é mais descentralizado e com maior presença da força privada e alta competitividade, além de estrutura consolidada tecnicamente. “Angola está vivendo um momento de expansão e modernização; o Brasil já passou por esse ciclo e hoje opera em um ambiente mais maduro”, explica.
Para Markos, a radiodifusão brasileira tem experiência sólida em operações de redes nacionais de rádio, em produção de conteúdo regional e local, e em integração entre o rádio tradicional e plataformas digitais. Tal experiência é benéfica para o processo de transformação pela qual passa a RNA.
Como principal rede pública do país, a RNA tem papel essencial na informação da população, na valorização cultural e na integração do país. “Ao mesmo tempo, o setor está em transformação. Projetos como este representam um salto tecnológico importante, que posiciona Angola em um novo nível de qualidade e cobertura em radiodifusão”, comenta Markos.
Mais do que uma modernização tecnológica, para Markos este é um projeto que deixa um legado estrutural para o futuro da radiodifusão em Angola. “Este é hoje o maior projeto de radiodifusão em execução no continente africano. Agradecemos ao Governo de Angola em nos confiar essa missão estratégica. Contamos atualmente com um time em campo de 18 profissionais brasileiros altamente especializados, incluindo engenheiros, técnicos e especialistas em acústica, dedicados à implementação deste projeto de grande escala. Este projeto terá impacto direto na qualidade da informação, no acesso à comunicação e na integração nacional, especialmente em regiões onde o rádio continua sendo o principal meio de comunicação”.