
“Quero prestar uma homenagem ao meu pai, mas ainda doí tanto. Escrevo sobre ele aos prantos”,
desabafa Léia Vidal que perdeu o seu pai para a Covid-19, no dia 24 de janeiro. Até agora, União da Vitória registra 21 mortes em decorrência da doença.
Aristeu Vidal, deixou uma história muito bonita de amizade e carinho pela sua família. É por isso que Léia faz questão de manter viva a sua passagem na aqui na terra.
Homem reservado, o união-vitoriense tinha um carinho enorme em cuidar do som dos cultos onde frequentava. Era lá, que toda a sua discrição era deixada de lado, e dava vez ao seu talento vocal, o qual não media esforços para se fazer presente na igreja.
“Ele era (é) muito especial. Nesses últimos tempos ele não estava saindo muito devido a pandemia”, diz.
Aristeu era casado com a Alaíde, com quem teve quatro filhos: Eliel, Gesiel, Léia e Joel (in memória).

O aposentado tinha pressão alta.
“Nos primeiros dias o meu pai estava assintomático. Depois, apresentou dores de cabeça e mal-estar, porém não apresentou febre, perda do paladar e nem irritação da garganta. Passados os dias, ele começou a se sentir fraco”, explica.
Léia conta que no dia 2 de janeiro, ela e o pai buscaram auxílio médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele foi medicado e passou a tarde do sábado em observação. Já no dia 5, Aristeu testou positivo para a Covid-19.
“O médico disse que meu pai já estava melhorando da Covid, porém apresentou um quadro de pneumonia leve, mas mesmo assim fomos para casa”.
Dias depois, na quarta-feira, dia 6, Aristeu passou mal e os familiares solicitaram uma ambulância. Neste dia, ele foi para a UTI permanecendo intubado até o dia 24, quando veio a óbito.
“É um processo muito doloroso e ainda custo a acreditar que meu pai se foi para sempre”.

Fã da Banda Opus Dei
Segundo Léia, a distração do pai era essa: Banda Opus Dei. “Agora restaram os CDs da banda preferida dele como lembrança”.
Aproveita ainda para enaltecer o pai, ao lembrar que foi um avô muito presente e que amava os netos e os bisnetos.
“Ah, ele gostava também de churrasco e de uma Coca-Cola bem gelada depois do almoço”, recorda com carinho.
“Prestem atenção nos sintomas”
Léia pede que a comunidade fique atenta com qualquer sintoma atípico daqui para frente. “Meu pai sentia dores de cabeça e mal-estar, aí tomava remédio, aliviava, mas as dores voltavam. Se cuidem”, faz o alerta.