Cinco pessoas da mesma família vencem juntas a Covid-19

Momentos difíceis vão ser apenas lembranças ruins aos moradores da pequena Porto Vitória

A gente passou por muito medo e por muito desespero. Mas com o apoio da família e dos amigos nos mantivemos em pé, fortes e confiantes”.

(Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal)

 Kamily Vitória dos Santos foi a escolhida para narrar essa história. Segundo ela, foram dias difíceis, de luta e de glória.

A jovem de 16 anos já carrega em sua trajetória de vida uma batalha sem igual. Ela e mais quatro membros da sua família testaram positivo para a Covid-19. A notícia comoveu os moradores de Porto Vitória, que se uniram em oração pelos cinco contaminados.

Conta Kamily, que foi no dia 8 de março deste ano que a angústia começou.

“Os sintomas apareceram, mas em nenhum momento pensamos que fosse o coronavírus”.

A família requisitou o teste para a Covid-19 à Secretária de Saúde de Porto Vitória.

“O pior aconteceu. Os testes foram feitos e, dos seis moradores da casa, cinco testaram positivo”, afirma.

Laísa Michele Castilho, de 27 anos, irmã de Kamily, foi a primeira a apresentar os sintomas.

“Ela necessitou de atendimento na Associação de Proteção à Maternidade e a Infância de União da Vitória, pois estava grávida e precisava de cuidados. Ela ficou durante seis dias no oxigênio e só pensávamos nela e no bebê. Tínhamos medo da necessidade de uma cesárea de emergência. Deus foi bom e colocou a sua mão para que tudo ocorresse no momento certo”, conta.

Naquela mesma semana, o padrasto de Kamily e Laísa, Sebastião Lídio Castilho, de 54 anos, foi para o Hospital Regional de União da Vitória. Ele tem problemas de pulmão e asma.

“Infelizmente ele foi para a UTI e na sequência, necessitou ser intubado. A sensação era de que aqueles dias não teriam fim”, diz.

Ainda, conta Kamily, que Sebastião ao apresentar melhora no seu quadro clínico, foi possível fazer uma traqueostomia – procedimento invasivo de garantia de vias aéreas muito utilizado em pacientes intubados e acoplados ao respirador. “Passados alguns dias, ele conseguiu sair da UTI e foi para o quarto”.

Diante de tanta angústia, é o dia 23 de abril que Sebastião quer guardar na memória. Ele voltou para casa e foi recebido com muitos aplausos pelos moradores de Porto Vitória.

“A emoção tomou conta de todos nós”, compartilha Kamily.

Os demais membros da família, assim como Kamily, não necessitaram de internação. Sua mãe, Laurita de Fátima Carvalho Castilho, de 48 anos e a irmã, Ester Rute Carvalho Castilho, de 13 anos, ficaram em isolamento em casa e receberam orientações e visitas dos Agentes de Saúde da cidade.

A irmã gêmea de Kamily, a Kariny Helena, não apresentou os sintomas da Covid-19. No mês seguinte, ela realizou o teste gratuito – oferecido pela Secretaria de Saúde, que acusou que ela teve contato com infectados. Muito possivelmente Kariny foi assintomática para a doença.


Bebê de Laísa

Além de comemorarem a vida, a família também celebrou a chegada do pequeno Nathan Levi Castilho. Laísa teve o seu parto realizado pouco depois de sua recuperação. Seu filho completou hoje 26 dias e passa bem.

“Tomem todos os devidos cuidados. Não sabemos de onde veio o vírus, ou até para quem passamos; o vírus está em todos os lugares, mas só fazendo nossa parte, conseguimos evitá-lo”, lembra Kamily.

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