Na última sexta, 11, data em que se completam dois anos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia do novo coronavírus, o novo Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19 chama atenção para a necessidade do avanço na vacinação e para o relaxamento prematuro das medidas protetivas diante do cenário atual.
Segundo os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo Boletim, é necessário ter prudência na adoção de qualquer medida de flexibilização, tanto pelo possível impacto do Carnaval e o potencial aumento de casos e internação, como pela “vacinação que avançou bastante, mas precisa ir além”.
O relatório da Fiocruz mostra o Paraná e Curitiba fora da zona de alerta para ocupação de UTIs por doentes da Covid. O Paraná, aliás, apresentou uma queda brusca de ocupação, passando de 67% para 43%, enquanto Curitiba está com ocupação de 46%.
Com metade dos óbitos ocorrendo em pessoas com no mínimo 78 anos, que possuem maior vulnerabilidade às formas graves e fatais da Covid-19, os pesquisadores defendem ainda a necessidade de aplicação de uma 4ª dose neste grupo, seis meses após a aplicação da dose de reforço.
Porém, ao mesmo tempo em que casos graves são mais concentrados nas idades mais avançadas, cresce a contribuição de grupos mais jovens, principalmente de crianças, no quantitativo total de número de casos, como aponta o Boletim. “A maior vulnerabilidade das crianças, provocada principalmente pela baixa adesão deste grupo à vacinação, compromete igualmente o grupo que se encontra no extremo oposto da pirâmide etária”, pontuam.
Casos e óbitos por Covid-19
Os dados referentes às duas últimas Semanas Epidemiológicas (SE), de 20 de fevereiro a 5 de março, confirmam a tendência de queda nos indicadores de incidência e mortalidade por Covid-19. O documento aponta que houve um decréscimo de 48% em relação aos casos diários das duas semanas anteriores (de 6 a 19 de fevereiro) e uma redução de 33% no número de óbitos por Covid-19 no mesmo período. Entretanto, esses resultados ainda não incluem a avaliação do efeito do carnaval e da flexibilização do uso de máscaras. Houve um ligeiro aumento da taxa de letalidade nas últimas semanas, indicando que pode haver uma redução do número de casos, no entanto com maior gravidade entre esses.
Leitos de UTI para Covid-19
Os dados relativos às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS obtidos entre 7 e 8 de março confirmam a tendência de melhora no indicador verificada nas semanas anteriores. As duas Unidades Federativas que se encontravam na zona crítica (taxas iguais ou superiores a 80%) no dia 21 de fevereiro saíram da zona de alerta (taxas inferiores a 60%). A tendência foi semelhante à que ocorreu em nove Unidades da Federação que estavam em zona de alerta intermediária e passaram a estar fora da zona de alerta.
O único estado que se manteve na zona de alerta foi Santa Catarina, que apresentou um aumento de 19 pontos percentuais, passando de 60% de taxa de ocupação de leitos, em 21 de fevereiro, para 79% em 8 de março.
Em 11 Unidades da Federação, as taxas caíram de forma bastante expressiva, em torno de 20 pontos percentuais ou bem mais: Acre (60% para 40%), Amapá (40% para 24%), Bahia (58 para 31%), Ceará (58% para 36%), Distrito Federal (100% para 56%), Mato Grosso do Sul (82% para 44%), Mato Grosso (63% para 32%), Paraná (67% para 43%), Rio Grande do Norte (49% para 28%), Sergipe (78% para 49%) e Tocantins (65% para 26%).
Níveis de atividade e incidência de SRAG no país
As Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) permanecem em tendência de redução do número de casos no país, com uma taxa de incidência avaliada, pela média móvel, em 1,7 casos por 100 mil habitantes, o que é ligeiramente inferior aos valores observados em novembro de 2021, pouco antes do crescimento de ocorrências devido à variante Ômicron. Os registros de SRAG correspondem a casos graves de infecções por vírus respiratórios que levam à hospitalização ou óbito. Dentre esses registros, predominam os casos de Covid-19 (87,4% dos casos positivos) nas últimas quatro semanas.
Todas as faixas etárias tiveram redução das incidências nas últimas semanas, com exceção das crianças até 11 anos de idade. Os pesquisadores observam que estes casos em crianças também incluem infecções por outros vírus respiratórios e podem estar relacionados ao período de volta às aulas. No quadro geral, a taxa de incidência se mantém acima de um caso por 100 mil habitantes, o que ainda é considerada alta.
“Entretanto, como a tendência é de redução, há uma perspectiva positiva, mas exige a manutenção de esforços para que esta queda continue sustentada por mais semanas. Permanece a importância da vacinação, inclusive com doses de reforço, combinadas com outras medidas de proteção, pelas esferas de governo e pela população”, orientam.