Em um estudo encomendado pela APP-Sindicato, e publicado no fim de julho, um grupo de cientistas avaliou a propagação da Covid-19 após o início da vacinação em massa no Paraná.
No modelo utilizado pelo grupo de cientistas, SEIR (Susceptíveis – Expostos – Infectados –Recuperados), demonstra que o isolamento social dos meses de março e abril foram de extrema eficácia para minimizar a terceira onda de Covid-19. De acordo com o modelo SEIR, apresentado na primeira nota técnica divulgada pela APP-Sindicato, projetava-se uma terceira onda com potencialidade de causar mais de 100 óbitos diários. “Estima-se que, mesmo não atingindo o patamar recomendado, o isolamento social implementado evitou pelo menos 1500 mortes para a cidade de Curitiba”, afirma o pesquisador Lucas Ferrante.
Nessa nova fase, foram analisados os dados de 13 municípios do Estado (Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Londrina, Maringá, Toledo, Paranavaí, Paranaguá, Ponta Grossa, Umuarama e União da Vitória), considerando a mobilidade urbana para o cálculo do nível de isolamento social para cada um dos municípios do presente estudo, bem como a progressão das taxas de vacinação para cada cidade.
Os dados indicam que o Paraná passou por duas forte ondas em 2021, nos meses de fevereiro e março e a segunda, ainda maior, em maio e junho. Agora, as projeções indicam a manutenção da pandemia para os próximos meses em um patamar inferior as duas ondas anteriores. O estudo prevê ainda a possibilidade de um alteração da curva de contaminação com a predominância da variante Delta. Ferrante e o grupo de estudiosos afirmam que aumento na circulação de pessoas nas escolas, comércio e no transporte coletivo fará aumentar, inevitavelmente, o caso de contaminações, sendo a abertura das escolas um dos principais fatores que geram impacto positivo nos números, pois as crianças e adolescentes possuem a mesma capacidade de armazenamento viral que os adultos, mesmo que não desenvolvam a doença na forma grave, como o restante da população, eles(as) atuam como disseminadores(as) do vírus.
“Dado que esta quarta onda poderá, apesar do avanço da vacinação, potencialmente ter a mesma magnitude da primeira onda, recomendamos a adoção de medidas restritivas para frear o novo aumento de casos projetados”, afirma Ferrante. O pesquisador, exemplifica que a revista Science, um dos mais prestigiados periódicos científicos do mundo, destacou em um estudo científico que avaliou dados de 41 países, onde demonstrou comprovadamente que o fechamento de escolas e universidades é uma das medidas que mais contribui para o controle da pandemia, “tendo maior efeito na contenção de casos, transmissão comunitária, internações e óbitos do que o fechamento de atividades não essenciais”.
*Nota da redação: a equipe do Portal VVale recebeu o estudo, bem como a nota, na data de hoje, 20 de agosto. O arquivo na íntegra pode ser lido aqui.