
O ano de 2020 virou a saúde pública de cabeça para baixo.
A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) trouxe grandes desafios não apenas para o setor, mas à população em geral; sendo o mais recente a vacinação em massa. Desde o início da pandemia, e particularmente, desde que as vacinas para Covid-19 começaram a ser desenvolvidas, muitas pessoas expressaram preocupações sobre sua segurança e eficácia.
Após um ano da corrida em busca de uma vacina contra a doença, o mundo já conhece algumas das apostas, como a vacina da Pfizer e a da Moderna. No combate ao coronavírus, esses imunizantes foram desenvolvidos em tempo recorde na história da medicina, já que o vírus só se tornou mundialmente conhecido em dezembro de 2019, a partir de casos identificados na China. Essa capacidade técnica dos cientistas deve ser reconhecida, no futuro, como inédita.
Em janeiro de 2020, pesquisadores da China já compartilhavam, de forma digital, o sequenciamento do novo agente infeccioso e cientistas de outros países começaram a estudá-lo, antes mesmo dos primeiros casos chegarem às suas respectivas regiões. Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que o mundo enfrentava a pandemia do coronavírus, ainda em março, as primeiras pesquisas para uma futura vacina já estavam em andamento.
Vale lembrar que a autorização de vacinas contra a Covid depende de agências reguladoras locais, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou ainda a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, por exemplo. Dessa forma, é comum que um imunizante possa ser usado em determinado país e não em outro.
Conheça as vacinas que já obtiveram alguma forma de aprovação no mundo:
- Vacina da Pfizer
Desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech, a vacina imuniza a partir de duas doses. O imunizante carrega um RNA mensageiro (mRNA) — uma tecnologia inédita para a ciência — que estimula o organismo a produzir uma proteína específica do coronavírus. A eficácia é de 95%, o que é considerado excelente no universo das vacinas. A fórmula já foi aprovada, de forma emergencial, em vários países, como os EUA, o Reino Unido e o Chile.
- Vacina da Moderna
A farmacêutica norte-americana Moderna também desenvolveu uma vacina com RNA mensageiro (mRNA), de forma similar ao potencial imunizante da Pfizer, para a produção de proteínas virais do coronavírus no corpo humano, depois de duas doses. A pesquisa teve parceria com o National Institutes of Health (NIH), o maior centro de pesquisa biomédico dos EUA. A sua eficácia é de 94,5%. A fórmula já obteve autorização de uso emergencial nos EUA.
- Sputnik V
O Instituto de Pesquisa Gamaleya, parte do Ministério da Saúde da Rússia, desenvolveu o imunizante Sputnik V, que atua de forma dupla na proteção contra o coronavírus, a partir da plataforma de vetor viral não replicante, em duas doses. Para garantir uma imunidade mais duradoura, os pesquisadores apostam no uso combinado de dois tipos diferentes de vetores de adenovírus (rAd26 e rAd5), ambos conhecidos por causar um resfriado comum em humanos. Sua taxa de eficácia é de 95%; o imunizante é utilizado na Rússia.
- CoronaVac e outras fórmulas
A farmacêutica chinesa Sinovac desenvolveu o seu imunizante, conhecido como CoronaVac, a partir de fragmentos do coronavírus inativados (quando o vírus está “morto”), uma técnica bastante tradicional no universo das vacinas, com duas doses do imunizante. A vacina tem autorização de uso emergencial apenas na China. O Instituto oficializou no dia 8, o pedido de uso emergencial da CoronaVac, à Anvisa. O órgão prevê que a análise do pedido emergencial leve até dez dias. Caso seja aprovada, a imunização de grupos de risco como idosos e profissionais da saúde estará autorizada. A submissão —como é chamado oficialmente o pedido— foi a primeira para vacinação contra o novo coronavírus no Brasil.
- Ainda na China, a vacina da farmacêutica CanSino Biologics e outras duas fórmulas da Sinopharm também obtiveram uma autorização restrita de uso.
Vacinação contra a COVID-19 no Brasil
O Ministério da Saúde apresentou ainda em dezembro a nova versão do Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a COVID-19. Mesmo sem uma data oficial para o início da campanha, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, espera que as primeiras doses sejam distribuídas em fevereiro. Em paralelo, o governo do Estado de São Paulo planeja iniciar imunização contra o coronavírus, apenas com a CoronaVac, no dia 25 de janeiro.
Para a imunização nacional do Ministério da Saúde, o país espera contar com quatro imunizantes, ainda não aprovados pela Anvisa. São eles: a CoronaVac; a vacina da Pfizer; a vacina de Oxford, desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, no Reino Unido; e o imunizante da farmacêutica da Johnson & Johnson, a Janssen.
Caso o Ministério da Saúde feche um acordo com a vacina da Pfizer, o Brasil terá uma importante vantagem contra eventuais mutações do coronavírus. Mesmo que a última variante identificada pelo Reino Unido, mais transmissível, não represente riscos conhecidos para a eficácia das vacinas, outras mutações podem chegar.
É golpe
O Procon de Santa Catarina alerta os consumidores sobre a falsa venda de vacinas contra Covid-19 pela internet. O órgão encontrou um anúncio que oferecia dez caixas da vacina Coronavac por R$ 98 cada. O diretor do Procon, Tiago Silva, lamenta a tentativa de golpe durante a pandemia. A Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não autorizou o uso de nenhuma vacina no Brasil. Caso está sendo investigado.
Saiba mais
Porque as vacinas salvam vidas?
- Para proteger gerações futuras;
- Para evitar a propagação de notícias falsas;
- Ser capaz de viajar com segurança;
- Para proteger os vulneráveis;
- As coisas evoluíram desde que Edward Jenner vacinou pela primeira vez um menino contra a varíola em 1796. A OMS estima que a vacinação atualmente evite de dois a três milhões de mortes todos os anos.
- As vacinas também nos protegem de muitas doenças debilitantes. Antes do desenvolvimento das vacinas Salk e Sabin contra a poliomielite, era comum ver imagens dramáticas de pessoas usando pulmões de ferro ou de crianças paralisadas. Mas nas últimas três décadas, as vacinas levaram a uma redução de 99,9% nos casos de pólio. E a Covid-19 pode ter efeitos de saúde duradouros. As vacinas também o protegerão contra isso.
- Ser vacinado contra covid-19 ajudará exatamente da mesma maneira — liberando recursos, reduzindo o número de casos e evitando mais acúmulos de outros tratamentos.
- Quando um número suficiente de pessoas é vacinado contra uma doença infecciosa como covid-19, a disseminação pode ser efetivamente interrompida, pois haverá poucas pessoas para infectar. Isso é conhecido como imunidade de rebanho. Alcançar a imunidade coletiva significa que mesmo aqueles que não podem receber a vacinação (por exemplo, devido a doenças pré-existentes) estão protegidos.
(Fonte: BBC News)
Esses imunizantes foram desenvolvidos em tempo recorde na história da medicina, já que o vírus só se tornou mundialmente conhecido em dezembro de 2019, a partir de casos identificados na China. Essa capacidade técnica dos cientistas deve ser reconhecida, no futuro, como inédita.
O que dizem as autoridades sobre a vacina contra Covid
O Papa Francisco disse à rede de TV italiana que tomará a vacina contra a Covid-19. “Eu acredito que eticamente todo mundo deve tomar a vacina. É uma opção ética porque você aposta na sua saúde, na sua vida, mas também na vida dos outros. ” Ele ainda confirmou que a vacinação no Vaticano se iniciará na semana que vem: “Eu também já me inscrevi porque isso deve ser feito. ”
Equipe de transição do presidente eleito nos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que o democrata pretende acelerar a vacinação da população contra a Covid liberando quase todas as segundas doses para serem usadas já na primeira fase de imunização. “O presidente eleito acredita que devemos acelerar a distribuição da vacina e, ao mesmo tempo, garantir que os americanos que mais precisam dela a recebam o mais rápido possível. Ele apoia a liberação das doses disponíveis imediatamente e acredita que o governo deve parar de reter o fornecimento da vacina”, disse um porta-voz.
O governador Carlos Moisés da Silva (PSL) afirmou que a expectativa é de que o Governo Federal disponibilize as primeiras doses da vacina por volta do dia 20 de janeiro. Segundo ele, a expectativa é de que 2,8 milhões de pessoas dos grupos prioritários sejam vacinadas em um primeiro momento.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR), já chegou a criticar a politização da vacina contra covid-19 no Brasil e afirmou que todos devem buscar uma vacina que solucione o problema, independentemente de onde ela venha. “A gente não escolhe bandeira de vacina. O que importa é que ela resolva o nosso problema. Não queremos fazer da vacina um programa eleitoral. O Brasil tem muito sucesso na questão da imunização”. O Paraná, ao lado da Bahia, já firmou acordo com o instituto russo Gamaleya que está desenvolvendo a vacina Sputnik V.
O prefeito de União da Vitória, Bachir Abbas (PP), durante coletiva de imprensa na semana passada, afirmou que a Secretaria de Saúde tem atuado diariamente para prestar o melhor atendimento à população. Afirma também que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) já estão preparadas para receber as vacinas contra a Covid (assim que a liberação acontecer no Paraná). “O Brasil tem um sistema público de saúde que poucos países no mundo têm. A partir do momento que contarmos com as vacinas, eu acredito em uma aplicação eficiente, pois já vimos essa logística antes, com o H1N1. Temos uma parceria com a 6ª Regional da Saúde e a Assembleia Legislativa do Paraná, que já nos informaram sobre a disponibilização das agulhas e seringas à União da Vitória. Até formatamos uma licitação para a aquisição do material, caso fosse necessário, porém o estado se comprometeu em liberar o que precisarmos”.
O secretário de Saúde de Porto União, Marivaldo dos Reis, defende o uso da vacina contra a Covid. “É a única maneira de nos livramos dessa pandemia, mas isso a médio prazo”. Conta que foi contrata a infectologista Suzane Pereira para capacitar os funcionários com novos protocolos sobre a Covid para o que ele chama de uma ‘segunda leva’ da doença, pensando no retorno das pessoas das viagens de fim de ano. Afirma ainda estar ansioso para a chegada da vacina e, que o município já se preparou com a compra de 40 mil seringas e agulhas. Até a sexta-feira, será empenhado o pedido de mais 27 mil itens, pensando na possibilidade de duas doses da vacina.
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que os esforços de imunização contra a covid-19 são uma questão “coletiva” e não individual. Recuperado da doença, Mourão reforçou que tomará o imunizante de acordo com o grupo prioritário em que se encaixa e “sem furar fila”. “Eu acho que a vacina, ela é para o País como um todo, é uma questão coletiva, não é individual. O indivíduo aqui está subordinado ao coletivo nesse caso”. A fala vai na direção oposta de declarações do presidente Jair Bolsonaro, que tem minimizado os esforços internacionais de imunização e colocado em dúvida a eficácia das vacinas. Mourão manteve a posição favorável ao imunizante mesmo agora depois de testado positivo para a covid-19 no fim do ano.
O presidente Jair Bolsonaro disse que não está fazendo campanha contra ou a favor da vacina, mas de conscientização. “Alguns acham que vai fazer uma campanha massiva de vacinação, a campanha é de esclarecimento e você na ponta da linha decide se vai tomar a vacina ou não”.