“A culpa não é do setor comercial”, disse diretor da CDL

Diretor da CDL, Silvio Iwanko falou em entrevista a CBN Vale do Iguaçu sobre a restrição de abertura de serviços considerados não essenciais

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Atualizado há 6 anos

(Foto: Jaqueline Castaldon).
(Foto: Jaqueline Castaldon).

Impactos com fechamento de serviços considerados não essenciais por decretos do Governo do Estado, projeção para as próximas semanas, para a nova rodada do auxilio emergencial do Governo Federal.

O diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de União da Vitória e Porto União, Silvio Iwanko, participou do programa CBN Linha Aberta deste sábado, 13, na CBN Vale do Iguaçu.

Silvio Iwanko, diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de União da Vitória e Porto União
Silvio Iwanko, diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de União da Vitória e Porto União

O Portal Vvale reproduz a entrevista na qual o empresário compartilhou as dificuldades do setor, para amenizar os impactos econômicos reflexo da pandemia da Covid-19.


ENTREVISTA

PORTAL VVALE – Como o comércio sentiu os fechamentos recentes devido aos decretos municipal e Estadual?

SILVIO IWANKO – Temos uma dificuldade muito grande, porque esse chamamento para fechar as portas está sendo feito apenas para uma pequena classe dos lojistas que atendem na cidade. O lockdown não funciona em vários lugares, e sentimentos que esse faz de conta de lockdown, é um sacrifício que está sendo imposto a algumas empresas e não vai dar resultado.

VVALE – Qual a posição da entidade quando por exemplo o Paraná determina o fechamento e Santa Catarina, a abertura. Quais os impactos dessas decisões distintas?

IWANKO – Forma um agravante ainda maior, porque além de ter uma pequena parcela, 20% dos comerciantes fechados, você vê os nossos companheiros do outro lado podendo abrir e trabalhando normalmente. É um sacrifício inútil. Não estamos querendo que os outros fechem, pelo contrário queremos que todos abram. Sou da opinião o lockdown não funciona: funciona o que vem sendo feito, distanciamento social, marcara, álcool gel em todas as empresas, e isso o comércio sempre fez. Então, a culpa não é do comércio é alguém que não está cumprindo, estamos fazendo nossa parte, porque ser penalizados novamente? O comércio é o maior empregador hoje no Brasil e muitos lojistas estão avisando, se fecharmos novamente não conseguiremos reabrir. É um sacrifício monstruoso para essas empresas que em alguns casos estão vendendo o almoço para comprar a jantar. Você tem um pequeno empresário que vende flores está fechado e um grande como um supermercado por exemplo, aberto e vendendo flores. Ou estão todos abertos fazendo sua parte, com distanciamento social, álcool gel e máscara, ou não vai funcionar.

VVALE – Qual o reflexo nas vendas e nas equipes? Houve muitas demissões?

IWANKO – Não. Ainda não, mas estamos no limite. Uma coisa que vejo, fica muito fácil para quem tem um salário garantido, está recebendo todo mês pedindo pra eu ficar seu salário, para que o meu funcionário fique também. Hoje, ele está garantido, mas na corda bamba, pois provavelmente vai ser demitido. Então, acho que todos que pedem para as pessoas ficar em casa, ficar fechado, também façam sua parte. Está recebendo seu salário integral? doe 30%, repasse a uma entidade, proteja pessoas que não tem renda. Fico sem meu salário, se precisar fazer um lockdown total contem com os empresários, mas tem que ser total. Sou favorável que todos fiquem abertos, não quero restringir ninguém, muito pelo contrário, quero ficar aberto também, mas, que todo mundo faça sua parte. Assim, fica algo democrático, se não é fácil falar para os outros façam sua parte e eu não faço a minha.

VVALE – No seu ponto de vista, bares e restaurantes, escolas e colégios deveriam ficar abertos ou fechados. Esses setores contribuem para a expansão da pandemia?

IWANKO – Bares e restaurantes estão organizados, mas existe um pequeno grupo que está extrapolando, a gente sente por aí os jovens que são cheios de vida, disposição, fica difícil passar essa responsabilidade para eles. É a autoridade que deve ir lá e coibir, não deixar se encontrarem nas chácaras, manter o distanciamento. Os barzinhos estão fechando mais cedo, ficaram tanto tempo fechados, também estão no limite, são empregadores, precisam se sustentar, não é culpa desse empresário. O que precisa é o órgão publico fazer a fiscalização certa, pedir que todos participem e fazer sua parte também. Ficaram esse tempo todo e não instalaram nenhuma UTI? algo que faltou sempre. Porque com o aumento no numero de casos não se ampliou a oferta do sistema nos hospitais?

VVALE – Qual o cenário projetado para as próximas semanas e próximos meses?

IWANKO – O comerciante não tem somente como problema, a Covid-19 ou ficar fechado. Os preços subiram demais, teve um problema de abastecimento, o combustível subiu, os impostos estão mais altos, com isso, os preços também dispararam. Não existe mais oferta de produto, porque o dólar está sendo muito melhor exportado do que deixar no mercado interno, e essas empresas precisam exportar. Isso, fez que faltasse insumo e matéria prima para as indústrias nacionais. Hoje, o comercio além de sentir a restrição de horários, sente que o cliente entra na loja, vê o preço e prefere esperar porque o salário não está acompanhando esses aumentos. Assim, é mais um agravante que os empresários estão sentindo no bolso, com queda nas as vendas.

VVALE – E a expectativa para a nova rodada do auxilio emergencial? Como isto deve refletir nas vendas do comércio local?

IWANKO – É uma injeção muito grande de dinheiro no mercado, por mais seja aquém do que a população está precisando, mas, vai ajudar essas pessoas a comprar bens principais como alimentação, medicamentos, pagar alugueis. Tomara que possa se estender por um tempo ainda maior esse auxilio, mas, no futuro vamos pagar um preço, porque todo esse dinheiro distribuído, não será revertido em infraestrutura. Lá na frente vamos sentir e ter que pagar essa conta. Mas, no momento o importante é o povo brasileiro, seguir nos protegendo enquanto não chega à vacina para todos, temos que nos ajudar.

VVALE – O valor desse auxilio emergencial é inferior ao do ano passado. Como foi o impacto econômico na oportunidade?

IWANKO – A primeira injeção de recursos ajudou bastante, porque quando se fechou a primeira vez todos ficaram desesperados, pois não teria dinheiro para pagar os funcionários no fim do mês. Ninguém tem liquidez, tem patrimônio e estoque, mas não o dinheiro. Não posso chegar para meu funcionário e perguntar se quer levar um sofá, roupa, porque dinheiro não tenho. Por isso é necessário que a economia seja movimentada, torcendo que todos tenham bons resultados.

VVALE – O poder público local, estadual, nacional tem reagido à altura das expectativas do comercio?

IWANKO – De certo ponto sim, pois acho que também estão de mãos atadas, Muitas vezes vemos a prefeitura tentando liberar um pouco, mas algumas pessoas não respeitam. As prefeituras também estão com dificuldades em se manter. Percebo que estão sempre conosco. Em União da Vitória com quem tenho mais contato, estão sendo receptivos.

VVALE – Como está o entendimento com os lojistas na fiscalização dos clientes? Com horário de fechamento estabelecido acaba sendo natural um volume maior de clientes nos locais.

IWANKO – Restrição de horários nunca foi bom, exemplo dos bancos que deveriam estender o horário e fizeram o contrário. Percebemos grandes filas e em alguns casos sem ninguém na fiscalização, diferente do que temos nas lojas. Também não teve resultado no transporte coletivo que acabou gerando em maior aglomeração. As medidas que a prefeitura adotou recentemente, com horários diferentes para indústria, comercio e órgãos públicos para evitar são boas, mas que infelizmente o povo acaba não respeitando.

VVALE – Quais os próximos passos a partir de agora?

IWANKO – Ficamos sempre na expectativa para melhor e consequentemente flexibilizar as medidas. Mas, percebemos que os casos da Covid-19 vêm aumentando, agora uma pessoa próxima de nos está sendo contaminada, antes era algo mais distante. Em minha opinião, o correto é manter o distanciamento social, álcool em gel e o uso mascara até chegar a vacina para toda a população. Fechar uma parte do comercio não adianta, é ridículo, isso não funciona.

VVALE – Qual a mensagem final do CDL ou dos empresários a toda população das nossas cidades?

IWANKO – A CDL está sempre buscando o que tem de melhor para a cidade, com novidades, o que as pessoas precisam. Sempre que fomos chamados a participar de ações que fossem beneficiar a cidade, o fizemos. Estaremos sempre solidários as dificuldades da população e nossa cidade.

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