
No dia 12 de maio deste ano uma ligação mudou o rumo de mais uma família no Vale do Iguaçu. Neste dia, a família de José Eloir Batista Ferreira, o Luico, soube de seu falecimento em decorrência da Covid 19.
Para Luico, só qualidades. Ela era pai de cinco filhos, quatro de coração e apenas um biológico. Fica o grande legado de um paizão para todos.
Quem conta essas particularidades é a filha mais velha, Giseli Ribeiro Lenczuk, que teve o prazer de chamar aquele grande homem de Pai.
“Ele já estava aposentado, ficava em casa e cuidava de tudo. Cuidou dos filhos de coração, cuidou da minha avó materna e cuidou também de seus netos de coração”. Apesar de suas limitações, para tudo ele dava um jeito. Ainda na juventude ele sofreu duas amputações do braço direito, mas a falta do membro nunca foi desculpa.

José Eloir era casado há 35 anos com Terezinha Ribeiro da Silva. Do amor com a companheira nasceu seu único filho biológico. Michel era especial, pois foi acometido por meningite com um ano de idade. Para ele, foram 30 anos de dedicação total. “Meu irmão era muito dependente do meu pai, ele incentiva o Michel, fazia ele se envolver em atividades”, lembra Giseli.
Luico também foi um grande incentivador do esporte paraolímpico de União da Vitória. Viajava com o projeto e seu fiel companheiro, o Michel, trabalhou com os atletas como voluntário.
“Ele levava o Michel para ocupar seu tempo”, lembra. “Desde a morte, um buraco se abriu, e parece que não conseguimos sair, ele faz muita falta”.

Até mesmo durante o internamento contra a Covid 19, Luico, de 61 anos, estava junto do Michel. Eles ficaram no mesmo quarto no Hospital São Braz. Michel tinha um quadro de saúde bem delicado, Luico estava bem.
“Estávamos muito preocupados com meu irmão, tínhamos certeza de que o pai sairia dessa”, lembra.
A esperança do retorno para casa era grande, mas os planos mudaram. O internamento devido a Covid 19, segundo a família, desencadeou diabetes. Foi aí que uma ligação mudou tudo. Luico não resistiu ao vírus e entrou para a triste estatística do Vale do Iguaçu.

Hoje, a saudade é inexplicável. Segundo Gisele, o pai era conhecido por todos, os vizinhos também choram a partida inesperada. O legado é o da família que sempre foi unida, fica com um vazio, mas é preciso seguir. “Vamos cuidar do Michel, a nossa missão agora é essa”.
“Ele sempre foi um homem de coração gigante. Eu perdi um pai, e minha mãe um marido, companheiro que nunca teve. Acredito que um dia vamos nos reencontrar”, finaliza a filha.