“Eu perdi quem mais amava para essa doença. Não desejo essa dor para ninguém”

Dorival Almeida  foi mais uma vítima da Covid-19 no Vale do Iguaçu. Na lembrança da filha, a alegria eternizada em um sorriso

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Atualizado há 6 anos

 

Quando enfermeira Mônica Calazans –  a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil – recebeu a dose, no dia 17 de janeiro,  a cena foi acompanhada como final de Copa do Mundo na casa do casal, Maria de Lurdes Santos Almeida, de 73 anos e o pedreiro aposentado Dorival Almeida, de 78 anos. Com os olhos cravados na TV o casal conversava quando seria a vez deles receber a tão esperada vacina.

Um mês depois deste dia, Dorival começava a sentir os primeiros sintomas da doença respiratória. Após o positivo, três dias depois ele foi internado. Quatro dias depois,  faleceu. Seu pulmão foi completamente comprometido. Dorival, assim como muitos brasileiros em sua faixa etária não teve  a chance de receber a primeira dose do imunizante.

Vivenciando a dor da perda e a nostalgia da saudade a filha única do casal, Maristela, relembra os momentos com o pai que não perdia a oportunidade de fazer uma graça.


Alegria

DORIVAL

Dorival tinha 78 anos. Era filho da dona de casa Rosalina  e de Severino Almeida. O filho do meio de quatro irmãos. Nascido e criado em União da Vitória, do pai recebeu o ofício que garantiu o sustento da família.

“Ele sempre contava que ia para a obra com a meu avô. Assim tomou gosto pelo trabalho e começou a trabalhar desde muito cedo”.

Com a voz embargada, Maristela  recorda a alegria que o pai sempre transpareceu.

“Nunca vou esquecer do seu sorriso, da tranquilidade que ele me passava. Passamos por muitas dificuldades, mas ele nunca perdeu a força e o sorriso no rosto”.

Dorival se casou com Maria de Lurdes aos 25 anos. O casal se conheceu na fila do supermercado.

“Ela derrubou uma sacola e ele ajuntou. Nunca mais ficaram longe. Está sendo muito difícil para todos nós”.

Na lembrança da esposa e da filha além de todos os momentos vividos, o que mais a filha sentirá falta é do almoço de domingo.

“Ele deitava na rede, contava piada, dava uma chochilada. Assim passávamos a maior parte da tarde. É muito triste perder quem amamos de uma forma tão repentina, sem direito a uma despedida. Sem poder olhar pela última vez para ele”.


Alerta

Para quem acha que a Covid-19 ainda é brincadeira. Maristela deixa um apelo.

“Se cuidem, respeitem as normas, eu perdi quem mais amava para essa doença. Não desejo essa dor para ninguém”.


Nos ajude a contar a história daquele que amamos, e que acabaram perdendo a batalha contra a Covid-19.

São pessoas nossas, da nossa terra.

Queremos eternizar a memória daqueles que um dia foram tão importantes.


  • Entre em contato com a reportagem pelo e-mail: ana.cabral@vvale.com.br ou pelo telefone: (42) 3521-2050

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