LUTO: “Covid levou o amor da minha vida”

Nair Ana silenciou canto gospel da noite para o dia. Vítima do coronavírus, moradora de União da Vitória fez história durante sua passagem na terra

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Atualizado há 6 anos

 

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“ A benção do grande Deus

…

Todo poderoso

Virá sobre tua vida

Mas muitos não vão entender

Que a benção veio, simplesmente

…

Porque ele te ama

Por que me resgatou?

Por que me trouxe aqui?

Por que me queres, Deus

Tanto assim?”

 


A melodia era uma das preferidas de Nair Ana Pereira Andreiov. Evangélica e muito presente nos cultos, acalmava o seu coração através da música gospel, em especial, as do Irmão Lázaro. Nair Ana, sempre fez questão de compartilhar palavras de otimismo, até para aquele que conheceu em menos de um minuto. Palavras que agora permanecem na memória daqueles que a ouviram. Seu canto foi silenciado da noite para o dia. Sua história foi interrompida aos 58 anos pela Covid-19. Ela foi mais uma das vítimas em União da Vitória (cidade registrou até ontem 17 óbitos).

Siane Pereira Andreiov, 34 anos, afirma que a doença levou o amor da sua vida. Eram muito próximas, moravam juntas e compartilhavam segredos. “Ela não descobriu que estava com Covid. Só fomos avisadas que ela era positiva para a doença no dia do seu falecimento, que foi em 13 de novembro de 2020. Minha mãe não teve nem tempo de saber”, desabafa.

Nair Ana fazia parte do grupo de risco e tratava asma grave, hipertensão, diabetes e obesidade. “Ela não foi diagnosticada em tempo hábil. Já chorei muito e ainda dói. Foi terrível. Ficamos sem chão”.

Siane conta que ela e a sua família não representam a parcela de pessoas que fazem festa, aglomeração ou não se cuidam. “E mesmo assim perdemos minha mãe, perdemos a esposa e a avó”, alerta.

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“Saudade da comida da minha mãe”

Entre tantos fatos marcantes, Siane chora ao lembrar da comida e dos lanches que a mãe preparava. “Eram os melhores do mundo”, diz.

Nair Ana era casada com Osni Andreiov, com quem teve a Siane. Também era apaixonada pelas netas Wendy Vitória, de 15 anos e Yasmin Cassiane, de 13 anos. “Foi uma pessoa de um coração muito generoso, que lutava pela vida diariamente”, pontua Siane.


“Meu mundo desmoronou”

Siane afirma que é um drama nesta pandemia enterrar pessoas queridas sem direito ao último adeus; tradicionais velórios estão vetados. A solidão da vítima já começa no hospital.“ As pessoas que se cuidem, previnam e zelem para vida de seus familiares. O vírus é verdadeiro e fatal. Ele destrói sonhos e famílias”.

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 “As pessoas que se cuidem, previnam e zelem para vida de seus familiares. O vírus é verdadeiro e fatal. Ele destrói sonhos e famílias”.

 

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