Mobilização de empresários arrecada 100 mil reais em 24 horas no RS

Entidades se unem para enfrentar os desafios do coronavírus e criam uma rede de solidariedade

(Foto: Reprodução).
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Em tempos de coronavírus, a solidariedade e união também estão se destacando no Rio Grande do Sul. Um dos exemplos está em Nova Prata, cidade de pouco mais de 25 mil habitantes, que fica na Serra Gaúcha. Uma mobilização regional arrecadou em apenas 24 horas, mais de R$ 100 mil reais para a compra de respiradores e o custeio de despesas do hospital da cidade. E em pouco mais de quatro dias a soma R$ 358.722,99 mil reais. A expectativa é que esse valor aumente ainda mais.

Além de atender o município, o Hospital São João Batista atende a demanda de mais oito cidades da região.

A campanha, batizada como “Unidos contra o Covid-19”, é uma iniciativa de um grupo de empresários, liderados por suas entidades: Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), Câmara Cultural da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e Sindilojas, todas do município.

Segundo o presidente da CIC, Lucas Holderle, ao pensar a campanha não se tinha estimativas de quanto arrecadar, porém o valor surpreendeu pela rapidez da solidariedade de empresários, pessoas e outras entidades locais e regionais.

Desde valores pequenos vindos de pessoas físicas, até depósitos maiores, fazem parte da contabilização do movimento.

“Estamos muito satisfeitos porque vimos que todos abraçaram a causa, entidades, empresas, pessoas físicas e o povo em geral”, comemorou o presidente do Sindilojas, Josemar Vendramin.

Em uma avaliação geral, o Presidente da Associação Hospital São João Batista, entidade mantenedora do Hospital, Fernando Lenzi da Silva, conta que a entidade já está mobilizada para combater o coronavírus, mas que em relação a estrutura física, é necessário reforços.

“Os equipamentos que nós temos são suficientes para o atendimento normal. Caso se agrave os casos, as infecções respiratórias causadas pelo coronavírus, aí estaríamos com certa limitação”, explica.

Segundo ele, já foram feitos pedidos de equipamentos o que garante um pouco mais de tranquilidade, mas pode não ser suficiente. Em relação aos recursos que virão para a entidade, o presidente já está se preparando para direcioná-los da melhor maneira possível.

“Vamos utilizar esses recursos não só para equipamentos, mas também para insumos de uso corrente. A comunidade confia na instituição, e nós estaremos, em contrapartida, utilizando bem esses recursos, no sentido que eles colaborem no atendimento que faremos à comunidade, nesse momento de crise e em um futuro próximo”.

Ele salienta que a grande satisfação do recebimento desses valores é o significado do gesto: a participação e a relação de confiança entre comunidade e o hospital.

Porém, agora o grupo está com o novo desafio. Ao consultar os fornecedores de respiradores, que é a maior carência no momento, a resposta é que, por conta da demanda, a entrega pode demorar até 60 dias.

“Agora estamos pensando em outras atitudes e ver o que a gente pode fazer se caso a gente não conseguir os respiradores. Talvez adaptar os que temos”, analisa Holderle. Além disso, o presidente da CDL, Thiago Giaretta conta que o corpo clínico do hospital já está levantando as principais demandas, além dos respiradores. “Estamos aguardando a resposta deles para darmos início no investimento e melhorar a infraestrutura como um todo para tratamento dos casos positivos”, explica.

Além dessa mobilização, uma empresa local já fez a doação de uma mesa anestésica com respirador, que ela já tinha em sua estrutura. Além de ajudar nesse momento o hospital, posteriormente a mesa poderá ser usada continuamente em cirurgias. O município de Nova Prata ainda não tem nenhum caso confirmado de coronavírus.


Ações se replicam em outras regiões

Outras cidades que também estão envolvidas em uma campanha de arrecadação de valores para ajudar nos custos do hospital local são Ipê e Antônio Prado. Por lá, a Associação Comercial, Industrial, Serviço e Agricultura (Acisa) de Ipê, e a Câmara de Indústria, Comércio, Serviços, Agropecuária e Turismo (CIC) de Antônio Prado, juntas, doaram R$ 130 mil, para o Hospital São José. Como em Nova Prata, a proposta é comprar respiradores e também ajudar a custear as despesas do hospital durante o período de pandemia.

Ainda, as entidades encabeçam uma campanha de doação voluntária, que pretende dar cada vez mais suporte aos casos que forem confirmados.

Em Bento Gonçalves, uma das maiores cidades da Serra e onde já foram confirmados 5 casos, as entidades locais e empresários, já arrecadaram mais de meio milhão de reais que vão também ajudar em equipamentos e auxiliando a construção de 40 leitos para atender pacientes contaminados pelo novo coronavírus.

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