Precisou sair do isolamento? Tá na hora de pôr a máscara caseira!

A ordem continua sendo ficar em casa, mas se você precisar sair, uma precaução adicional: uso de máscaras caseiras para proteção de todos

Agora o uso de máscaras é indicado para todos, não apenas para sintomáticos ou profissionais da saúde | Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília
Agora alguns especialistas defendem o uso de máscaras para todos e não apenas para quem tem os sintomas ou profissionais da saúde | Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

 

A ordem não mudou: FIQUE EM CASA! Porém, se você faz parte das pessoas que seguem trabalhando por fazerem parte de algum dos vários serviços essenciais, tão necessários para que a maioria possa ficar em casa; chegou a hora de tomar precaução adicional: Usar máscara feita em casa, de maneira artesanal, visando proteger os outros cidadãos em primeiro lugar.

Isto se deve a dois motivos em particular:

1) Máscaras profissionais daquelas fabricadas por indústrias e compradas em mercados e farmácias estão em falta e devem ser usadas para proteção individual daqueles que estão na linha de frente da saúde como médicos e enfermeiros. Se eles adoecem, todos que precisam de cuidados sofrem ainda mais. Então, não compre e se tiver máscara profissional em casa, entregue em algum hospital, por favor.

2) Usar máscara caseira ajuda a proteger os outros de nossos espirros, gotículas de saliva e principalmente a conter um pouco a disseminação da doença por pessoas completamente assintomáticas ou que ainda não desenvolveram os sintomas iniciais.

Desde que a pandemia da Covid-19 se instalou no planeta, o comportamento das pessoas é diferente. E não é para menos: de tudo, o saldo é de aprendizado. Mas, no retorno de algumas atividades do cotidiano, como sair de casa, algumas dúvidas ainda disparam e uma delas, tem a ver com o uso de máscaras. Quem precisa sair de casa e não tem o vírus, tem que usar o dispositivo de proteção?

As informações sobre o assunto são diferentes e mudam com uma frequência considerável, acompanhando as novidades em relação à dinâmica da contaminação pelo novo coronavírus.

Como regra geral, vale lembrar o que prega o Ministério da Saúde. Conforme uma recente publicação sobre o mote de prevenção e cuidados, o órgão diz: “as máscaras faciais descartáveis devem ser utilizadas por profissionais da saúde, cuidadores de idosos, mães que estão amamentando e pessoas diagnosticadas com o coronavírus”. O texto completa a redação lembrando que “é importante que as pessoas comprem antecipadamente e tenham em suas residências medicamentos para a redução da febre, controle da tosse, como xaropes e pastilhas, além de medicamentos de uso contínuo”.

Confira neste infográfico desenvolvido com informações divulgadas em um artigo na Medium, do Professor Dr. Sui Huang,  PhD em biologia molecular e química física, que defende o uso de máscaras como sendo uma forma de redução adicional da transmissão, e que esta proteção pode influenciar no achatamento da curva epidemiológica unida ao distanciamento social, sendo a prática indicada para quem precisa ir às ruas e ter contato com outras pessoas.

 

Segundo ele “as máscaras cirúrgicas e as máscaras respiratórias N95 usadas incorretamente não oferecem proteção perfeita. Mas se o objetivo declarado é “achatar” a curva, temos que abandonar o pensamento em preto e branco e adotar tons de cinza”.

 

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O Ministério não deixa claro ou oficializa que tipo de máscara usar e com a escassez do produto descartável, outras versões do produto vem surgindo. Na rede social, é fácil encontrar tutoriais de como fazer uma máscara caseira, bem como vídeos assinados por especialistas que recomendam – e até ensinam como preparar – máscaras feitas de tecido e até de paninho de limpeza.

 

 

Luiz Henrique Mandetta - Ministro da Saúde | Foto: UOL
Luiz Henrique Mandetta – Ministro da Saúde | Foto: UOL

O próprio ministro da Pasta, Luiz Henrique Mandetta, recomendou o uso da máscara feita de pano, por exemplo. Para ele, diante da falta das máscaras tradicionais no mercado, a proteção oferecida pela de tecido, já é interessante.

“Acho que máscaras de pano para comunitários funciona muito bem como barreira. Não é caro de fazer, faça você mesmo, tem na internet e lave com água sanitária, cândida”, disse.

“Agora, é lutar com as armas que a gente tem. Não adianta ficar lamentando que a China não está produzindo”, completou. Mandetta reforçou, contudo, que o isolamento continua sendo a principal maneira de proteção.

Outros profissionais defendem o uso do produto feito em casa. A médica pediatra Ana Escobar, por exemplo, publicou um vídeo onde ressalta a eficácia de uma máscara feita com pano multiuso de limpeza, daqueles com furinhos.  Ela mostra como se faz a peça também.

 

 

“Todas as pessoas que tiverem que sair de casa devem usar uma máscara”, diz a médica.

 

“Importante dizer que até o dia de hoje, esta não é a posição oficial do Ministério da Saúde. No entanto, evidências têm provado que o uso de máscaras por pessoas que não estão doentes, ou seja, estão assintomáticas – sem sintomas- pode ajudar a proteção de todos”, continua.

A infectologista do Vale do Iguaçu, Suzane Pereira, participou na quarta-feira,1º, do Programa CBN Manhã de Notícias e comentou o assunto. Ela entende a necessidade de adaptação da população e sobre o uso das máscaras artesanais, traz recomendações.

“Eu acho interessante que a população esteja produzindo essas máscaras com tecido e até papel, com elástico. O problema está no manuseio. Uma vez que ela coloca a máscara na boca e no nariz, se usa máscara até a retirada dela. Se for de papel, se troca a máscara. Para isso, tem que limpar a mão de novo”, explica.

“Para colocar a máscara de pano, se você contaminou a mão, tem que limpar de novo. A máscara é uma barreira para mão e boca. Se você tocar nela, você contamina a máscara. Ao voltar para casa, a máscara tem que ser colocada numa solução de água com sabão e ficar de molho”, continua. Para dar conta desse vai e vem das máscaras, a médica sugere a confecção de pelo menos três máscaras, de pano ou de papel, para a higiene ou descarte delas.

 

 

A OMS orienta sobre o uso, dizendo que “pessoas com sintomas respiratórios, como tosse ou dificuldade de respirar (devem usar a máscara) inclusive ao procurar atendimento médico”. O uso também é indicado aos profissionais de saúde e pessoas que prestam atendimento a indivíduos com sintomas respiratórios; profissionais de saúde, ao entrar em uma sala com pacientes ou tratar um indivíduo com sintomas respiratórios. “O uso de máscaras não é necessário para pessoas que não apresentem sintomas respiratórios. No entanto, máscaras podem ser usadas em alguns países de acordo com os hábitos culturais locais. As pessoas que usarem máscaras devem seguir as boas práticas de uso, remoção e descarte, assim como higienizar adequadamente as mãos antes e após a remoção. Devem também lembrar que o uso de máscaras deve ser sempre combinado com as outras medidas de proteção”, continua o texto.

 

Agora o uso de máscaras é indicado para todos, não apenas para sintomáticos ou profissionais da saúde. | Foto: Getty Images
Uso de máscaras contra a COVID-19 | Foto: Getty Images

 

Assim como a Covi-19, o uso das máscaras ainda é cheio de incerteza. O Ministério da Saúde prepara um protocolo que vai indicar diretrizes para produção das máscaras com TNT e também orientação para o uso do equipamento. Vale lembrar que o preconceito, neste momento, precisa ser deixando de lado: quem usa máscara não está necessariamente doente ou morrendo, antes, cuidando de si – e de você também.

 

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