“Não julgue quem testou positivo para Covid”, desabafa moradora

Andrezza Cordeiro e o esposo testaram positivo para a doença; ela trabalha no Posto de Saúde na localidade da Vargem Grande e Rondinha, em Paula Freitas

“Não julgue e nem discrimine quem testou positivo para Covid-19. Qualquer pessoa pode ser acometida pela doença e o apoio nesse momento é fundamental à sua recuperação”.

O desabafo é da moradora de Paula Freitas, Andrezza Cordeiro.

Ela é funcionária no Posto de Saúde na localidade da Vargem Grande e da Rondinha, interior da cidade. Andrezza e o esposo testaram positivo para o coronavírus.

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(Fotos: Arquivo Pessoal)

O casal não tem histórico recente de viagem. Desta forma, o caso deles é considerado transmissão comunitária — quando não se sabe a origem do vírus.

Desde o início da pandemia, a cidade teve dez pacientes recuperados, 74 casos descartados, sete pacientes o em tratamento da doença respiratória e 24 monitorados.

Segundo Andrezza, a pandemia atinge a todos, pois além do medo de ficar doente, cada um tem uma preocupação diferente. Quem precisa trabalhar teme pela própria saúde. Já os confinados se preocupam com os parentes que estão nos chamados grupos de risco. E por aí vai …

O casal fez a coleta para o exame na segunda-feira, 6. O resultado veio na quarta-feira, 8, com o resultado positivo.

“Meu filho tem 4 aninhos e está conosco em casa, pois pode ser considerado um infectado assintomático*. Ele precisa ficar conosco para não correr o risco de transmitir a doença”.

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Segundo ela, o garotinho passa bem.

“Ele se queixou de nariz congestionado e não precisou coletar para exame. Mas mesmo assim me preocupo, e não desejo para ninguém esse pesadelo que estamos vivenciando, de medo, incerteza…”, relata.

O casal permanece em isolamento domiciliar, a contar do resultado por 14 dias. Devem cumprir protocolo estabelecido pela vigilância epidemiológica e fazer o uso de medicamentos, como Tamiflu e Azitromicina, para aliviar os sintomas.


“Sim, testamos positivo”

Andrezza divulgou em suas redes sociais a preocupação com o diagnóstico da doença. Ela não criou um perfil falso, colocou seu nome, sobrenome e um pedido.

“Não precisam ter medo ou receio da minha família, pois já estamos em isolamento domiciliar. Não tenho o que esconder. Dispenso críticas, do tipo como você pegou? Você não se cuidou? Trabalho em prol da população, estou na linha de frente e amo minha profissão. Sempre usei os equipamentos de proteção individual e álcool gel. Mas infelizmente aconteceu. Estamos abalados, pensativos, choramos”, conta.

Andrezza desconfiou da doença após apresentar tosse seca e dor de garganta. Os sintomas evoluíram para cansaço intenso, dores de cabeça e musculares, fraqueza, perda de olfato e paladar. O marido apresentou os mesmos sintomas.

“Evitem aglomerações, festinhas e saídas sem necessidades. Gratidão a Deus, familiares e amigos, que mesmo de longe, nos dão força e coragem”.


* Assintomático

É muito mais comum do que parece e acontece em dois terços das pessoas infectadas, segundo um estudo realizado pela revista Science. Enquanto algumas pessoas sentem os primeiros sintomas, outras não chegam sequer a saber que estavam doentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) esclarece que os assintomáticos podem transmitir coronavírus.

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