O presidente Jair Bolsonaro tem aparecido como ‘garoto propaganda’ de vermífugos. Aliás, não é de hoje que a autoridade máxima do País tem endossado o uso desses produtos, ainda sem eficácia comprovada no combate a Covid-19.

Um levantamento realizado pela Linx a pedido da Revista Veja mostra que a venda da ivermectina, antiparasitário usado para o controle de piolhos, disparou 473,4% em 2020.
Os números levam em consideração os medicamentos que contêm a substância ivermectina como principal ativo: Ivermectina, Ivermec, Iverneo, Leverctin, Revectina e Uciose. A base de dados é da Linx com análise do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Não foram poucas as vezes que Bolsonaro decidiu contrariar infectologistas ao incentivar o uso precoce de medicamentos que não têm eficácia comprovada para Covid-19.
A hidroxicloroquina, a ivermectina e a azitromicina chegaram, inclusive, a fazer parte de um “kit Covid-19” a ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde com respaldo do Ministério da Saúde.
Na terça-feira 5, o presidente chegou a publicar em uma rede social que o uso em massa do vermífugo salvou vidas em países africanos.
Com tamanha moral por parte de Bolsonaro, a ivermectina e a cloroquina, que é usada para o combate à malária, viraram uma espécie de remédios milagreiros.
Segundo os números levantados a pedido de VEJA, em março, no início da pandemia, o número de vendas de ivermectina era irrisório, representando cerca de 0,03% da quantidade de medicamentos no país.
De abril a julho, no entanto, o crescimento foi estrondoso: em abril, o salto nas vendas do medicamento foi de 156% em relação ao mês anterior.
Depois de um retrocesso em outubro, com o aparente controle da disseminação do vírus no país, as vendas voltaram a subir nos últimos meses do ano.