
O monumento à João Pessoa nunca foi tão popular. Porém, tem uma história longa, vários endereços e até alguns mistérios. A novidade é que ele está de cara nova.
Há pouco tempo, parte dele deixou o trevinho do Colégio São José para voltar para casa. Ao lado do Clube Concórdia, ele recebe outras duas peças: o pedestal e o anjo. Tudo isso fica pronto nos próximos dias já que a inauguração tem data e hora marcada: 5 de setembro, às 10 horas, quando Porto União completa 99 anos. “Quando assumi a secretaria, em 2013, já era nossa vontade recuperar o monumento. Conversamos com várias pessoas da área da cultura sobre isso e neste ano, através do Conselho Municipal da Cultura, com o aval da comissão central do centenário e o prefeito, resolvemos fazer o projeto”, conta o secretário José Carlos Gonçalves.
Deu certo e o resultado é uma obra imponente, alta, que chama a atenção da comunidade para a região ribeirinha, do centro, e que ao mesmo tempo revela uma história quase escondida.
O sumiço do anjo
Sem dúvida, o desaparecimento da peça é a maior surpresa de toda a história. Conforme Gonçalves, o anjo sumiu quando o monumento deixou seu lugar de origem pela primeira vez. É que em 1931 ele ficava onde hoje é a piscina do Clube Concórdia. O monumento – uma coluna grega e o tal anjo – ficaram ali por 40 anos até que em 1971, por conta das obras de construção do Clube, foram removidos para o trevinho do colégio. “O anjo sumiu nessa mudança. Sobrou apenas a coluna”, conta o secretário.

Sobre o anjo, vale um parêntese. Na verdade, não era bem um ser angelical. A peça, na realidade, era uma imagem da deusa grega Nike, que segurava uma tocha na mão. “Antigamente, essa tocha ficava acesa e orientava as embarcações do Rio Iguaçu. Estamos reproduzindo a imagem a partir de uma silhueta do anjo, que vimos em uma foto antiga”, lembra Gonçalves.
Por isso, o novo monumento resgata a memória de Nike: ela é feita pelo artista plástico Roque Correia e quando estiver pronta volta ao local ocupado por sua versão original. Como tal, sua tocha, agora em forma de lâmpada, volta a clarear todas as noites aquele trecho do Iguaçu.
João Pessoa
Ele era candidato à vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas. Mas, bem antes de ganhar votos, foi assassinado, no Nordeste do Brasil. Nos bastidores da história, comenta-se que João Pessoa perdeu a vida por ter se envolvido em apuros, porém, por situações particulares, extrapolítica. Ocorre que, o habilidoso Vargas, usou a tragédia a seu favor. “Ele usou a morte como se fosse por motivos políticos. Seu assassinato é considerado inclusive uma das causas da Revolução de 30”, conta Gonçalves.
Vargas, que esteve no Vale do Iguaçu, ouviu muitos elogios sobre o candidato. Logo, a comunidade local decidiu pela criação do monumento. Veio ainda o batismo da avenida que praticamente é o coração de Porto União, com o nome do político. Nike, onipotente em sua coluna grega, marcava, em 30, o começo da via.