AUMENTOU: Ampliado limite do crédito consignado

Desconto mensal sobe para 35% da renda mas, 5% são reservados exclusivamente para pagamento do cartão de crédito

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Atualizado há 11 anos

Medida Provisória assinada neste mês pela presidente Dilma Roussef amplia o limite do desconto em folha do crédito consignado. O benefício vale para trabalhadores, aposentados e pensionistas.

Com a mudança, o salto é de 5%: de 30, o desconto pode ser de até 35% da renda. Ocorre que, estes 5% extras, só poderão ser usados para bancar as despesas com o cartão de crédito. Ou seja, além da pessoa poder usar os 30% do que ganha por mês, ele também poderá comprometer mais 5% para pagar dívidas com cartão de crédito, que tem taxas de juros mais altas.

Para o economista Álvaro Concha, embora interessante, o aumento oculta algumas armadilhas. “Porque no médio prazo com o aumento do endividamento, a inadimplência também aumenta. A inadimplência, de acordo com o Serasa Experian, já aumentou em 16,4% este ano, sendo que só de refinanciamentos com bancos o índice chega a 19% e com cartões de crédito e financeiras o índice alcança índice estratosférico de 27,6%”, aponta.

Em maio, a presidente havia vetado o aumento do limite de crédito. Na ocasião, o valor chegaria aos 40% da renda do trabalhador. O “corte” da presidente seria motivado, segundo ela, pela ausência de “contrapartidas que ampliassem a proteção ao tomador do empréstimo”. Para Concha, além da campanha de segurança, falta também a consciência da educação financeira, o que poderia frear os empréstimos desnecessários e a inadimplência alta. “Essa educação prega que devemos economizar ao menos 15% de nossas receitas, pensando sempre no futuro ou em alguma possível urgência”, afirma. “Portanto, a capacidade de endividamento não deve passar desse mesmo índice para que o consumidor não perca seu poder de compra e consequentemente, de barganha”, completa.

Dados recentes do Banco Central confirmam a preocupação: em abril, o endividamento chegou aos 46,3%, o maior percentual desde o início da pesquisa, em 2005.

Para os especialistas em finanças pessoais, a ampliação do limite cria uma ilusão do “dinheiro fácil” e “na mão”, especialmente em um momento em que a economia está estagnada e há, ainda, a ameaçada do desemprego. “O consumidor brasileiro está cada vez mais maduro quanto aos seus hábitos consumistas, mas não significa que já esteja preparado para um aumento de sua capacidade de endividamento. O que se pode perceber é que por pressão de financeiras, cartões de crédito, bancos, o governo permitiu esse aumento percentual”, aponta.

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