Bitcoin hoje em real: cotação, cenário macro e o que esperar nas próximas semana

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Atualizado há 2 semanas

Bitcoin douradoO payroll americano de julho chegou com uma surpresa que o mercado não esperava: destruição de 23 mil vagas no setor privado, contra projeção de criação de 80 mil postos. Foi exatamente esse número que empurrou o BTC para novas máximas do mês. Para quem acompanha a cotação bitcoin hoje real, o movimento ficou claro: o ativo saiu da faixa onde operava e chegou a tocar US$ 65.340 na sexta-feira, 8 de agosto. Em reais, a referência ultrapassou R$ 330 mil por unidade, patamar que combina a valorização em dólar com o câmbio estabilizado perto de R$ 5,10.

Por que o mercado de trabalho americano move o bitcoin

A lógica é direta. O Federal Reserve de Kevin Warsh manteve os juros no intervalo de 3,50% a 3,75% sem sinalizar quando voltaria a apertar a política monetária. Cada dado de emprego, portanto, funciona como um voto antecipado sobre a próxima reunião. Com o payroll abaixo do esperado, a probabilidade de alta em setembro caiu de 54,7% para 46,3%, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group. O mercado leu isso como perspectiva de maior liquidez, e o Bitcoin respondeu com alta de 1,3% no dia da divulgação.

Para o investidor brasileiro, essa conexão tem uma camada adicional: dólar mais fraco mantém o câmbio comportado e reduz o custo de conversão para quem compra via exchanges nacionais. Em agosto, com o dólar comercial entre R$ 5,07 e R$ 5,11, a cotação local do BTC ficou bem sustentada entre R$ 326 mil e R$ 332 mil.

Os ETFs de agosto e o retorno do dinheiro institucional

O movimento mais significativo de agosto veio dos dados de fluxo dos ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos. Entre 3 e 7 de agosto, esses produtos captaram US$ 853,5 milhões em cinco sessões consecutivas de entrada líquida, volume 395% superior ao registrado em todo o mês de julho. O maior ETF de bitcoin americano concentrou US$ 693 milhões desse total.

O patrimônio líquido dos ETFs spot de BTC voltou a US$ 79,5 bilhões, equivalente a cerca de 6,1% da capitalização de mercado do ativo. O ingresso acumulado desde o lançamento desses produtos, em janeiro de 2024, soma US$ 52,18 bilhões, demonstração da demanda estrutural que os ETFs criaram para o Bitcoin.

Para o investidor brasileiro com exposição via fundos locais ou produtos de renda variável atrelados a bitcoin, o dado é direto: o piso de compra institucional está sendo reconstruído enquanto o preço testa a região dos US$ 64 mil, reforçando o suporte técnico nessa faixa.

Jackson Hole e o que vem a seguir

O simpósio anual de Jackson Hole, previsto para o final de agosto, é o evento de política monetária mais aguardado do trimestre. A leitura do mercado já se moveu: a possibilidade de manutenção dos juros em setembro avançou de 45,3% para 53,8%, segundo o CME FedWatch. Analistas do setor avaliaram que os dados do payroll de julho “definiriam o tom” tanto para a reunião de setembro quanto para o encontro em Jackson Hole.

Um cenário em que Warsh adote tom neutro no simpósio abriria a janela técnica para o Bitcoin testar resistências acima de US$ 66 mil. O comportamento do BTC e das altcoins ao longo da primeira semana de agosto foi descrito por participantes do mercado como “resiliente”, mesmo diante de uma semana carregada de novidades negativas no cenário externo.

Selic em queda e o contexto brasileiro

Do lado doméstico, o Banco Central do Brasil reduziu a Selic para 14,50% ao ano em abril, em trajetória descendente. Com a balança comercial registrando superávit de US$ 7,1 bilhões em julho e câmbio estável, o ambiente favorece posições em ativos dolarizados como o Bitcoin.

A dinâmica histórica é bem conhecida: a desvalorização estrutural do real frente ao dólar amplifica os retornos do BTC para o investidor brasileiro. Quem entrou em BTC com câmbio favorável capturou tanto a valorização do ativo em dólar quanto o efeito da conversão para reais, o que explica por que o Bitcoin em reais historicamente supera o desempenho em dólar nos ciclos de alta.

O que os ciclos históricos dizem sobre o momento atual

Um padrão consistente na história do Bitcoin é o de ciclos de aproximadamente quatro anos associados ao halving, evento que reduz pela metade a emissão de novos BTC. A diferença do ciclo atual em relação aos anteriores é a presença consolidada dos ETFs spot americanos, que criaram um canal de demanda institucional permanente inexistente nos ciclos de 2018 ou 2022.

O fluxo de US$ 693 milhões captado pelo maior ETF de bitcoin em apenas uma semana, com o preço lateralizado em US$ 64 mil, mostra que grandes gestores estão recompondo posições antes de qualquer confirmação técnica. Para quem monitora o bitcoin hoje em real, esse fluxo sustenta o preço acima de R$ 300 mil e pode catalisar o próximo movimento de alta assim que o ambiente macroeconômico oferecer o gatilho. Jackson Hole, no final de agosto, é o candidato mais próximo.

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