A crise financeira da Casas Bahia também atingiu União da Vitória. A unidade da varejista no município encerrou as atividades, ampliando a lista de lojas fechadas na região Sul do país em meio ao processo de reestruturação da companhia.
Uma funcionária da unidade, consultada pela reportagem, confirmou o fechamento e relatou que a equipe foi informada da decisão somente na sexta-feira, 14.
“A gente soube só na sexta. Fomos trabalhar na sexta e recebemos a notícia cedo de que não iria mais abrir. Infelizmente, fechou”, relatou.
Além de União da Vitória, a crise financeira da Casas Bahia chegou ao Norte de Santa Catarina. A varejista encerrou as atividades de lojas em Canoinhas, Mafra, Joinville e Jaraguá do Sul, como parte de uma ampla reestruturação que prevê o fechamento de 298 unidades em todo o país.
Em Canoinhas e Mafra, o encerramento das atividades foi comunicado aos clientes na sexta-feira, 14. Nas redes sociais, as unidades agradeceram aos consumidores pela relação construída ao longo dos anos. “Nosso muito obrigado por fazerem parte da nossa história!”, informou uma das lojas.
Em Joinville, a segunda loja física da rede, localizada na Rua XV de Novembro, também foi fechada. Apesar disso, a empresa informou que os clientes podem continuar realizando compras por meio dos canais digitais.
Além das cidades do Norte catarinense, também foram anunciados fechamentos de unidades em Criciúma e Blumenau.
QUASE 30% DAS LOJAS SERÃO FECHADAS
O processo de reestruturação representa uma redução significativa na presença física da Casas Bahia. As 298 lojas que terão as atividades encerradas correspondem a aproximadamente 28,7% da rede no país, considerando pouco mais de mil unidades existentes em março.
A medida ocorre paralelamente a um corte no quadro de funcionários. Entre quinta-feira, 13, e sexta-feira, 14, cerca de 1,9 mil trabalhadores foram demitidos, segundo informações de mercado. O número representa aproximadamente 6,7% dos colaboradores da companhia. Fontes do setor estimam que o número de demissões possa chegar a 3 mil trabalhadores durante todo o processo de reestruturação.
PREJUÍZO DE R$ 1,1 BILHÃO
A redução da estrutura ocorre em meio a uma grave deterioração financeira da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido próximo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro da perda registrada no mesmo período do ano anterior.
Em 2025, o prejuízo acumulado chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões, cerca de três vezes o resultado negativo registrado em 2024.
Entre os fatores que pressionam o desempenho da empresa estão o endividamento das famílias, a redução do poder de compra e os juros elevados.
EMPRESA JÁ HAVIA RENEGOCIADO DÍVIDAS
A Casas Bahia já enfrentava dificuldades financeiras antes do atual processo de cortes. Em 2024, a companhia recorreu a uma recuperação extrajudicial para renegociar dívidas com instituições financeiras e converter debêntures em capital.
Agora, o fechamento de quase 300 lojas faz parte da estratégia para reduzir despesas e reorganizar a operação diante dos prejuízos acumulados.
Apesar do cenário negativo, a companhia registrou receita bruta consolidada de R$ 8,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 6,4%. O resultado, porém, não foi suficiente para evitar o forte prejuízo.
A receita das lojas físicas caiu 1,8% no período, enquanto o marketplace recuou 0,6%. O canal digital próprio apresentou desempenho melhor, impulsionado também por parcerias de vendas no Mercado Livre.
A empresa adiou a divulgação do balanço do segundo trimestre, inicialmente prevista para sexta-feira, 14. A expectativa é de que a companhia apresente mais detalhes sobre os próximos passos da reestruturação.