Cooperativas preparadas para atravessar o momento

Palestras do Fórum de Dirigentes Cooperativistas de Santa Catarina contribuíram para maior clareza do cenário econômico

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Atualizado há 11 anos

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(Foto: Divulgação).

A palestra do economista Alexandre Mendonça de Barros encerrou, ontem, em Florianópolis, a edição 2015 do Fórum de Dirigentes Cooperativistas de Santa Catarina, com a participação de cerca de 150 pessoas. O evento colocou em debate o cenário econômico nacional e internacional, projetando as influências sobre as cooperativas. O presidente da Organização das Cooperativas e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Ocesc/Sescoop-SC), Marcos Antonio Zordan, explicou que as previsões apresentadas pelos palestrantes são importantes para direcionar os negócios e embasar decisões. “Temos que ter sempre em mente a preocupação com as pessoas. Sejam produtores, associados ou gestores de cooperativas, são essas pessoas que devem estar preparadas, porque delas depende a mudança. Com conhecimento aplicado na hora certa e pelas pessoas certas, teremos condições de sair desse embaraço”, defendeu.

Mendonça de Barros fez uma relação do momento econômico brasileiro com o de outros países, mostrando recuperação nos Estados Unidos e ainda uma retração nos principais mercados europeus. Ele defendeu que, no caso do Brasil, até pelo câmbio favorável às exportações, o agronegócio será um dos mais fortes vetores da retomada do crescimento da economia. Entretanto, explicou que em grande parte o movimento de mudança é papel do Estado, algo que está fragilizado no país pelo cenário político que se instalou, com dificuldade nas relações entre Executivo e Congresso.

Menos otimista que o palestrante do primeiro dia de Fórum, o também economista e comunicador Ricardo Amorim, que projetou início de recuperação para 2016, Mendonça de Barros prevê que, ainda que isso possa ocorrer, o período que classificou como de “transição” deve se estender ainda por mais três. Ele afirmou que a economia brasileira está na contramão da economia mundial, com inflação em alta e Produto Interno Bruto (PIB) em queda, e que o Real foi a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar, movimento que deve continuar até 2020. “Mas, se pensarmos que tudo no futuro será pior, será de fato pior. A reação de uma pessoa que pensa assim é parar de consumir. Individualmente, essa é uma atitude correta, mas, coletivamente, nos levará a uma profunda recessão.”

O palestrante alertou que o país ainda não perdeu o grau de investimentos externos, mas que já chegou ao último degrau de confiança. A conjunção dos vários fatores levará, segundo ele, ao fechamento de 1 milhão de postos de trabalho, além de uma queda na massa salarial real próxima a 4% em 2015.

A reversão desse quadro começa em 2016, quando a inflação deve baixar, uma vez que não terá a pressão dos reajustes de combustíveis e energia que estavam represados e foram aplicados no início de 2015. Sobre o custo da energia pesa ainda a crise hídrica, que obrigou o sistema elétrico a acionar as usinas termelétricas, cujo custo de produção do megawatt é superior ao das hidrelétricas.

Com a queda da inflação virá também o recuo dos juros e a condição da volta aos investimentos, levando a um novo ciclo de contratações. No caso específico das cooperativas, Mendonça de Barros acredita que as do ramo agrícola e agropecuário atravessarão o momento sem maiores dificuldades. Já as de crédito terão que restringir os financiamentos. “Ou seja, os cooperados já não terão tanta fartura de crédito e isso exigirá um ajuste.”

Ao finalizar sua palestra, o economista Alexandre Mendonça de Barros apresentou quatro elementos chaves que devem ser considerados pelos cooperativistas e empresários:

1 – Reforçar as linhas de exportação e a internacionalização. Aproveitar a maior competitividade com as importações e eventuais oportunidades de nacionalização de produtos e componentes;

2 – Esforço na direção das melhores práticas, redução de custos e inovação. Revisão da política de crédito para clientes e fornecedores. É imperioso elevar a produtividade;

3 – Usar a força do balanço para consolidação e aquisição de bons ativos a bons preços; e

4 – Diminuir a dependência de favores discais e crédito subsidiado em todos os níveis de governo.

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