Discutida proposta alternativa de geração de energia elétrica

Termelétricas prometem aquecer setor madeireiro da região

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Atualizado há 11 anos

Uma luz no fim do túnel, literalmente. Os madeireiros podem ganhar fôlego com um projeto de instalação em União da Vitória de usinas termelétricas. O setor produtivo da madeira esteve reunido na manhã de ontem no gabinete do prefeito Pedro Ivo Ilkiv (PT), discutindo a capacidade de produzir material combustível (madeira), para apresentar à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). Participaram da reunião, presidida pelo prefeito e pelo deputado estadual Hussein Bakri (PSC), os empresários do ramo, os prefeitos de Bituruna, Claudinei de Paula Castilho, de General Carneiro, Joel Martins Ferreira, os vereadores Ziliotto Daldin, presidente do Poder Legislativo de União da Vitória, Altamir Moreira de Castilho, Ricardo Adriano Sass, Carlos Humberto Topolski e Waldir Luiz Cortellini.

Os madeireiros foram convidados pelo deputado estadual, que anunciou o projeto das termelétricas em duas fases distintas. Segundo Bakri a primeira fase do projeto já é realidade. Trata-se da usina da Madeireira Miguel Forte, com capacidade final de produção de até 32 Megawatts por mês, a curto prazo. “Essa é a parte aplicável imediatamente. A usina da Madeireira Miguel Forte está otimizando parceria com a Copel”, disse. A segunda parte pode ser a médio ou a longo prazo. Trata-se da construção de outra usina termelétrica, com capacidade de geração de 50 Megawatts/mês.

Ilkiv classificou como importante a reunião e destacou o trabalho do deputado no sentido de se empenhar junto à Copel pela viabilização do projeto das termelétricas. “Tudo o que servir para incrementar nossa economia, será bem vindo”, disse o prefeito. Ele sabe o que fala. Só a geração e ICMS por conta da operação das duas usinas engordaria substancialmente as finanças da prefeitura.

Oxigenação do setor

O setor de reflorestamento atravessa uma grave crise. Empresários do setor disseram na reunião que há migração da atividade para a agricultura. Nas décadas anteriores, o caminho era inverso. Agricultores foram plantar árvores desistindo da agricultura. A implantação de uma ou duas usinas vai proporcionar que os empresários que plantaram reflorestamentos possam ter retorno, finalmente.

Segundo estudos do professor Roberto Pedro Bom, que presta assessoria à dezenas de empresários do setor, a capacidade instalada num raio de 60 a 120 quilômetros, nas regiões de União da Vitória e Porto União, é de 98 mil hectares, o suficiente, e com folga, para tocar as duas usinas. Se forem consideradas pequenas propriedades o número salta para 327 mil hectares plantados de matéria prima, sem prejuízo das empresas instaladas e em produção.

O que é uma usina termelétrica

Uma usina termelétrica pode ser definida como um conjunto de obras e equipamentos cuja finalidade é a geração de energia elétrica, através de um processo que consiste em três etapas. Nas usinas térmicas convencionais, a primeira etapa consiste na queima de um combustível fóssil, como carvão, óleo ou gás, ou no nosso caso, restos de madeira, cavaco e matéria inservível para atividades de produção de cada indústria, transformando a água em vapor com o calor gerado na caldeira.

A segunda consiste na utilização deste vapor, em alta pressão, para girar a turbina, que por sua vez, aciona o gerador elétrico. Na terceira etapa, o vapor é condensado, transferindo o resíduo de sua energia térmica para um circuito independente de refrigeração, retornando a água à caldeira, completando o ciclo. Com madeira, refugo sobrando, preços nada competitivos, é a solução para os empresários da região compensar perdas e até voltarem a investir. Novos empregos no setor podem ser gerados.

Vai baratear a conta de luz?

Não. A produção de energia é comprada pela Copel para atender a demanda de energia elétrica, mas não significa que a energia produzida pela termelétrica local será destinada para consumo interno (só do município). O foco é outro. Segundo Bakri a idéia é fazer como que os empresários do ramo forneçam combustível (restos de madeira, cavaco, madeiras inservíveis para industrialização) para movimentar as turbinas da usina termelétrica. “É uma questão de fomentar o setor para entrar mais dinheiro com a venda desses materiais para as empresas ganharem fôlego e poderem investir mais e se capitalizar”, explicou.

Isso não quer dizer que pequenos reflorestadores também não possam vender pequenas quantidades de madeira para tal fim. A idéia é que o setor absorva toda a quantidade de madeira, de pequenos ou grandes reflorestadores, para a produção de energia elétrica que será comprada pela Copel. Essa foi a primeira reunião. Não se resolve tudo na primeira rodada. O fato é que os empresários saíram animados e o projeto deve ganhar corpo e o apoio necessário.

Fotos: Jair Piloto Nunes

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