FAEP reage à jornada 6×1 e alerta para impacto bilionário no agro

Sistema FAEP pede que o Congresso barre a jornada 6x1 e aponta aumento de custos, perda de eficiência e pressão sobre os alimentos.

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Atualizado há 5 meses

O Sistema FAEP se posicionou contra o Projeto de Lei 1838/2026 e pediu, nesta sexta-feira (17), que deputados federais e senadores não aprovem a proposta. Para a entidade, a mudança na jornada 6×1 no agro pode provocar efeitos diretos sobre a produção, os custos e a competitividade do setor.

Em ofício encaminhado ao Congresso, a entidade argumenta que a redução da jornada semanal para até 40 horas, com ampliação do descanso remunerado para dois dias, desconsidera a realidade do campo. Segundo o Sistema FAEP, atividades agropecuárias dependem de fatores como sazonalidade, clima, períodos de operação contínua e disponibilidade limitada de mão de obra.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que a proposta pode gerar consequências negativas em várias frentes. Entre elas, ele cita a perda de eficiência produtiva, o aumento da informalidade, a substituição de trabalhadores, o avanço desordenado da automação e a alta no custo dos alimentos.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Impacto bilionário no Paraná

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP estima que a jornada 6×1 no agro pode causar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária paranaense. O estudo leva em conta uma base de 645 mil postos de trabalho no setor e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões, incluindo salários e encargos obrigatórios.

De acordo com a entidade, a redução da jornada exigiria uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”. Esse ajuste, segundo a FAEP, elevaria de forma significativa os custos da produção rural em diferentes cadeias.

Na avicultura e na suinocultura, o custo adicional estimado é de R$ 1,72 bilhão ao ano. Na cadeia de grãos, que reúne soja, milho e trigo, o impacto pode chegar a R$ 900 milhões anuais. Já o setor de laticínios teria aumento de R$ 570 milhões por ano, enquanto as cadeias de cana, café, fumo e hortifruti somariam outros R$ 910 milhões.

Pedido por análise técnica

O Sistema FAEP defende que o debate sobre a jornada 6×1 no agro seja feito com base em estudos técnicos sobre os efeitos econômicos e sociais da proposta. A entidade também cobra valorização da negociação coletiva e maior articulação entre política trabalhista, desenvolvimento econômico e ambiente regulatório.

Para Meneguette, valorizar o trabalhador é um compromisso permanente do setor rural, mas mudanças amplas precisam considerar os gargalos estruturais do país. Na avaliação dele, sem planejamento, a medida pode gerar mais prejuízos do que avanços.

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