Indústria abre 19 mil novas vagas de emprego, puxada pela Construção Civil

Apesar do crescimento gradual, mercado de trabalho formal ainda não recuperou ritmo do período que antecedeu a crise

(Foto: Assessoria).
(Foto: Assessoria).

O Paraná criou 7.406 novas vagas de trabalho em outubro em todos os setores, de acordo com a pesquisa mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), fornecida pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. Apesar de positivo, o ritmo ainda está bem abaixo do registrado no período que antecedeu a crise econômica no Brasil. Em 2010, no mesmo mês, foram contratados quase 15 mil trabalhadores no estado.

Só a indústria de transformação do Paraná criou 1.271 novas vagas de emprego em outubro. O setor da construção civil, outras 767. O resultado acumulado, de janeiro a outubro, mostra que a indústria de transformação contratou 8.737 trabalhadores e, a da construção civil, 10.656.

Das 67 mil pessoas empregadas no ano no Paraná, em todas as atividades, os dois segmentos industriais, juntos, respondem por 29% de todos os postos de trabalho abertos no estado, superados apenas pelo setor de serviços, com 58%. 

Os setores da indústria de transformação que mais contribuíram para melhorar a empregabilidade no estado foram o de alimentos (1.772), seguida pelo mecânico (1.673), químico e farmacêutico (1.509), de confecção e artigos do vestuário (1.388) e metalúrgico (1.371). Por outro lado, um setor que preocupa pelo fechamento seguido de vagas é o da madeira (-1.158).

“As atividades que têm registrado maior crescimento na produção industrial do estado também são os que vêm contratando mais trabalhadores ao longo do ano”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Ao analisar o desempenho do setor de serviços este ano no Paraná, que abriu 39 mil novos postos de trabalho, o subsetor de comércio e administração de imóveis, que está diretamente ligado à construção civil, criou quase metade dessas vagas, 18.249. “Por conta da recuperação da indústria da construção, atividades atreladas a ela também cresceram e geraram novos empregos”, justifica o economista.

“Este é um setor chave da economia para avaliar o crescimento do mercado de trabalho em função de sua capacidade de mobilizar uma grande massa de mão-de-obra. A população que antes estava desempregada, passa a ter renda e é atraída novamente para a atividade de consumo, aquecendo a economia”, explica.

Geografia

A evolução do emprego no Paraná em 2019, nos municípios com mais de 30 mil habitantes, mostra que Curitiba aparece em primeiro lugar, com abertura de 22.200 novas vagas, seguida por Maringá (5.200), São José dos Pinhais (3.500), Cascavel (3.300), Pato Branco (2.300) e Londrina (1.700), cidades que também são importantes polos industriais do estado.

Comparativo 2018

Quando comparado o acumulado de janeiro a outubro deste ano com o de 2018, percebe-se uma diferença significativa na geração de empregos entre a indústria de transformação e da construção civil, bem diferente do cenário atual.

De janeiro a outubro do ano passado, a diferença entre contratações e demissões na indústria foi de 12.004 novos trabalhadores. O valor é 26,4% melhor do que o registrado este ano, em torno de 8.800 novos empregados.

Já na indústria da construção civil, o resultado é inverso. O ano de 2019 está sendo bem melhor, com crescimento acentuado de oferta de vagas. No acumulado do ano até outubro, foram mais de 10 mil vagas, sendo que no ano anterior ficaram em torno de 4.300, um crescimento de 135% este ano.

“Embora ambos os resultados do ano sejam positivos, apontando criação de vagas, o setor da construção civil está crescendo de forma mais acentuada em 2019. Na indústria tradicional percebe-se ainda um comportamento de resistência na recuperação dos empregos, apesar do crescimento da produção industrial do estado ser o maior do país este ano”, conclui Felippe.

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