A Federação das Indústrias (Fiesc) apresentou, ontem pela manhã, um elenco de estudos com as condições da infraestrutura e da logística em Santa Catarina. Foram analisados os segmentos rodoviário, ferroviário, aeroviário e aquaviário, e indicadas não só as necessidades, mas também as soluções. O seminário “Agenda Estratégica da Indústria para a Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarinense” reuniu os três senadores catarinenses – Dalírio Beber e Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger (PMDB) –, deputados federais – Mauro Mariani (PMDB, presidente do Fórum Parlamentar Catarinense), Carmem Zanotto (PPS), Valdir Colatto (PMDB), Pedro Uczai (PT) e Esperidião Amin (PP), além do superintendente do DNIT-SC, Vissilar Preto.
O presidente da Federação, Glauco José Côrte, disse que as condições atuais impactam negativamente a economia catarinense. “Há problemas em todas as regiões do estado, todas as obras sofrem atrasos, existem projetos contraditórios entre si, sem falar na demora no licenciamento ambiental”, resumiu. O resultado disso é desastroso para Santa Catarina. O peso da logística sobre o faturamento da indústria fica em 14%, enquanto para os principais competidores externos, como Estados Unidos, fica em 9%. “Isso é mais de 50% de diferença! Como recuperar isso se além do custo de logística temos custos de produção mais altos, carga tributária, juros? É difícil! Isso explica a queda nas exportações brasileiras.”
Outro dado impactante citado pelo presidente da Fiesc é que para cada dólar que se deixa de investir em manutenção e conservação, são necessários dois dólares e meio para fazer os reparos necessários. “É um custo que a sociedade acaba pagando por inércia, por problemas de gestão das obras públicas”, arrematou Côrte.
Para mostrar o cenário à sociedade, a Federação vai disponibilizar, amanhã, em seu site, o “Monitora Fiesc”, no qual será possível acompanhar todas as informações sobre cada obra aguardada ou em realização no estado, com indicações de paralisação ou atraso e os respectivos motivos. Côrte acredita que um acompanhamento rigoroso e com as informações abertas para a sociedade chama a atenção dos responsáveis, pois sempre se mostram os atrasos e os gastos adicionais. “Também queremos subsidiar o Fórum Parlamentar Catarinense para que possa atuar junto aos ministérios da área em nosso favor”, explicou, ao afirmar que do orçamento federal de 2015 para obras em Santa Catarina, que é menos da metade do orçamento de 2014, foram desembolsados até agora pouco mais de R$ 800 mil (0,09% do total de R$ 820 milhões previstos pelo Orçamento Geral da União e PAC), contra R$ 719 milhões (37% do total de R$ 1,9 bilhão projetado pelo Orçamento Geral da União e PAC). “O governo está sem dinheiro. Se mesmo na época de bonança não conseguiu executar as obras, imagina agora em período de crise. Por isso temos que atrair a participação da iniciativa privada.”
Situação caótica
No mês de maio a Fiesc fez uma análise sobre a situação das BRs 282, 153, 158, 163 e 470, nos trechos que passam pelo território catarinense (Oeste) e com intervenções previstas na segunda etapa do programa de Conservação, Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema). Coordenado pelo engenheiro civil Ricardo Saporiti, o estudo reúne fotos que mostram obras inacabadas, buracos nas pistas, falta de acostamento, afundamentos, trincas ou recalques da camada asfáltica. E a maior parte das obras está paralisada há mais de seis meses.
Na conclusão do trabalho, o engenheiro classificou como “deplorável” o estado dos trechos de São Miguel do Oeste a Dionísio Cerqueira (BR-163), de Ponte Serrada a São Miguel do Oeste (BR-282) e no entroncamento com a BR-282 e a divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul (BR-158), mesmo passados mais de dois anos de vigência dos contratos do Crema 2ª Etapa.
“Somente para atendimento das agroindústrias do Oeste de Santa Catarina, nos transportes de milho, soja, carnes de aves/suínos e industrializados, calcários e fertilizantes, circulam na BR-282 (SC) aproximadamente 1.100 carretas de 30 toneladas por dia, o que demonstra a urgência em se encontrar soluções viáveis”, diz o documento.