Inflação desacelera, mas gastos com alimentação e moradia seguem em alta

Carnes de aves, como o peito de frango, tiveram alta de até 8,5% em maio (Foto: Assessoria Udesc Esag).
Carnes de aves, como o peito de frango, tiveram alta de até 8,5% em maio (Foto: Assessoria Udesc Esag).

Depois de uma forte aceleração em abril (0,96%) a inflação sentida pelos consumidores de Florianópolis cedeu em maio (0,42%) – embora os preços continuem em alta. Os aumentos mais significativos foram verificados nos grupos alimentação (1,42%) e habitação (1,97%). Juntos, esses dois grupos são responsáveis por um terço do orçamento das famílias.

Os serviços de transportes – com peso, em média, de um quinto do orçamento familiar – tiveram uma alta menor (0,24%). Nesse caso, o índice foi puxado por duas forças contrárias. Em meio à crise com a quebra da companhia Avianca, as passagens aéreas subiram 5,5%. Já os preços dos combustíveis para automóveis, depois de sucessivas altas, tiveram redução (-3,12%).

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag).

A inflação acumulada nos últimos 12 meses também ficou menor (4,75% em maio, contra 5,29 em abril). Mas esse acumulado ainda segue mais alto que o verificado na mesma época em 2018, quando estava em 2,62%.

Alimentos

Entre os produtos de alimentação, destacaram-se os aumentos nos preços de aves e ovos (5,07%) e tubérculos, raízes e legumes (3,93%). Nesse último grupo, a cebola aumentou mais de 13% e o tomate, mais de 8%. Já a batata inglesa, que vinha subindo, teve queda (-1,39%).

De acordo com o coordenador do ICV/Udesc Esag, Hercílio Fernandes Neto, alguns aumentos de alimentos são sazonais, como os dos produtos da pecuária. “Com a aproximação do inverno, as pastagens fornecem menos alimento aos animais, que precisam receber mais ração, o que aumenta os custos dos produtores”, explica. “Isso sempre acontece nesse período”.

Esse fator está ligado aos aumentos em maio dos preços do leite e derivados (3,60%) e das carnes (3,15%). O leite longa vida, por exemplo, teve alta de 5,39%. Também subiram os preços de cortes de carnes como contrafilé (8,39%), costela bovina (4,57%), músculo bovino (4,30%) e bisteca suína (3,73%).

Outros preços

Os gastos com moradia, que representam em média 13,8% do orçamento das famílias, foram proporcionalmente os que mais subiram (1,97%). Pesou nessa variação o aumento das tarifas de energia elétrica (2,35%) em razão de mudança na bandeira tarifária (que encarece o consumo quando as condições de geração de energia são menos favoráveis).

As despesas com saúde e cuidados pessoais (11,1% do orçamento familiar) também tiveram alta acima do índice geral, subindo 1,23%. Os preços dos remédios, com alta de 4,07%, foram o principal motor nesse caso.

Outros grupos tiveram redução de preços – ainda que seu peso menor no orçamento das famílias não tenha sido capaz de baixar muito o índice geral. É o caso dos serviços de comunicação (-1,58%), puxado para baixo pela redução dos preços dos combos internet-TV-telefone (-4,58%) e dos planos de TV por assinatura (-2,78%).

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 31 de maio.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag (Fesag), na atualização das ferramentas utilizadas.

Mais informações podem ser obtidas em udesc.br/esag/custodevida, onde é possível consultar os boletins mensais (desde 2010) e as séries históricas (desde junho de 1994) do ICV/Udesc Esag.

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