JBS anuncia construção da primeira usina catarinense de biodiesel

Fábrica deve gerar cerca de 100 empregos diretos e 200 indiretos, além de utilizar produtos da agricultura familiar de Mafra e região

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Atualizado há 7 anos

Representantes da JBS e prefeitos da região (Foto: Dom Ferrari Fotografia).
Representantes da JBS e prefeitos da região (Foto: Dom Ferrari Fotografia).

O grupo JBS anunciou na tarde desta terça-feira, 30, investimento de R$ 180 milhões na construção de uma indústria de biodiesel em Mafra, a primeira em Santa Catarina. O anúncio foi feito na sede da Associação dos Municípios do Planalto Norte (Amplanorte) para imprensa e autoridades da região. De acordo com Leandro Barbosa, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da JBS, a previsão é de começar a produção já no primeiro semestre de 2021. O biodiesel será fornecido para a Petrobras e o projeto será desenvolvido pela Seara.

Segundo Barbosa, após um ano de planejamento, a empresa escolheu Mafra pela facilidade de escoação da produção por causa da proximidade com a BR 280 e de poder escoar a produção também através de ferrovias, além da obtenção de energia elétrica e pela grande produção de grãos na região. “O objetivo nosso é atender a Seara, uma das empresas que mais emprega no Estado de Santa Catarina”, afirmou Barbosa.

Ainda de acordo com Barbosa, a empresa deve aproveitar gorduras de aves e suínos e também soja para a produção do combustível. Para isso, somente da agricultura familiar, a intenção da empresa é de comprar cerca de R$ 451 milhões em matéria-prima no primeiro ano, e cerca de 40% deve vir da agricultura familiar. “Somente no primeiro ano de instalação, R$ 180 milhões em insumos virão da agricultura familiar. No segundo ano, esse valor aumentará para R$ 270 milhões, beneficiando produtores rurais de Mafra e região”, destacou.

Para Alexandre Pereira, diretor de biodiesel da JBS, esse mercado no Brasil está em constante crescimento, com previsão de produção de 10,5 bilhões de litros de biodiesel até 2022. “O consumo deve dobrar nos próximos anos e o mercado brasileiro vai necessitar de investimentos nesta ordem. O País não é autossuficiente na produção de biodiesel. O Brasil importa 20% de todo o óleo diesel. Isso vai para fora do País e vai gerar empregos em outros lugares e não aqui. O biodiesel é um produto que agrega valor à matéria-prima nacional e emprega brasileiros”, ressaltou Pereira.

A Companhia, desde 2007, trabalha com o reaproveitamento do sebo bovino e de outros insumos, como óleo de fritura recuperado para produção de biodiesel. “Além de estarmos tirando esses produtos da natureza, estamos gerando biodiesel. Com a nova unidade, a JBS mais que dobrará a sua capacidade produtiva, devendo ultrapassar a marca de 600 milhões de litros de biodiesel por ano”, explicou Pereira.

O prefeito de Mafra, Wellington Roberto Bielecki,  agradeceu a escolha do grupo JBS e da Seara. “A ficha ainda não caiu”, disse inicialmente o prefeito. “Nós nos identificamos muito com essa empresa. Temos uma coisa em comum, somos um povo trabalhador, acordamos cedo. Hoje é um marco divisório para o município e este investimento dará suporte e sustentabilidade para toda a região. Mafra está sendo palco hoje de um investimento que nem temos ideia do tamanho. Estou muito emocionado”, reconheceu Wellington.

A fábrica da JBS Biodiesel em São Paulo fechou o ano de 2018 consolidando o seu melhor ano de operação. No ano, a empresa comercializou 260 milhões de litros de biocombustível, resultado que supera em aproximadamente 25% o volume de 2017, que foi de 210 milhões de litros. A ideia é de que em Mafra sejam produzidos 270 milhões de litros por ano.

Empregos

Para a construção da usina em Mafra que terá uma área de 76 mil metros quadrados e produzirá 900 toneladas de biocombustível por dia, serão empregados 400 trabalhadores. Após o término da construção, a fábrica vai gerar 100 empregos diretos e 200 indiretos.

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