Juros do cheque especial e cartão de crédito continuam subindo

Economistas recomendam ficar longe das duas formas de crédito

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Atualizado há 10 anos

Paying by card

A taxa média de juros do cheque especial voltou a subir. A taxa foi para 13,37%, segundo pesquisa realizada pelo Procon-SP no dia 3 de junho. Foi o quinto aumento consecutivo. O número representa um aumento em relação à taxa registrada no mês de abril, de 13,18% ao mês. A pesquisa também avaliou as taxas de juros cobradas de clientes que pedem empréstimos pessoais aos bancos. De maio para junho, todos os bancos mantiveram a taxas cobradas ao mês inalteradas.

Confira as taxas dos 7 maiores bancos

O maior aumento foi do Banco Safra, que subiu 5% a taxa de juros, para 12,6% ao mês. Já o Itaú subiu a taxa em 2,7%, para 12,95%, e o Bradesco aumentou em 2,06%, para 12,89%. No Banco do Brasil, as taxas subiram 0,81%, para 12,4%. Já os bancos que mantiveram inalteradas as taxas de juros do cheque especial em junho foram Santander, HSBC e Caixa Econômica Federal.

A maior taxa de juros é cobrada pelo Santander, com 8,49% ao mês, seguido pelo HSBC, com 7,3%. Já as menores taxas são do Banco Safra e da Caixa Econômica Federal, com 5,4% e 5,5%, respectivamente.

Juros salgados no cartão de crédito

Com base em dados do Serasa/Expirian, O Comércio levantou as taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito. Os juros médios no cartão de créditos subiram para 441,76% ao ano em maio, ou seja, o maior patamar desde 1995. A informação pode ser confirmada no site da Associação Nacional dos Executivos de finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

O cartão de crédito, na verdade, concede crédito a seus clientes, pois o cliente realiza a compra, mas paga depois. Numa economia de consumo, onde comprar é uma atividade do dia-a-dia, essas pequenas compras somadas no mês podem facilmente ultrapassar a capacidade de pagamento do consumidor, e por isso a inadimplência é o principal problema do banco emissor do cartão de crédito. Está claro que o total de inadimplentes no país é assustador, e um cliente que deixa de pagar o total de sua fatura, deixa ao banco um grande problema financeiro, já que este deverá honrar uma compra sem o respectivo pagamento.

Por dentro da taxa de juros

Segundo o Procon Nacional, as empresas de cartão de crédito têm como principal fonte de receita a taxa de juro cobrada dos clientes que não pagam a fatura no valor total, optando pelo chamado pagamento mínimo. Estes clientes são conhecidos como Revolvers, e as taxas podem variar entre 6% e 16% ao mês. Já as taxas do juro de mora, aquela cobrada dos que não conseguem pagar o valor na data prevista, ficam na média de 10% ao mês. Além disso, em toda compra o vendedor, que normalmente é um varejista, paga em taxa que pode ir de 2% a 5% do valor da transação. Esta taxa é normalmente distribuída entre as operadoras do cartão, como Cielo, Redeshop e outras, e bandeiras, como Visa e Mastercard.

Cuidados com os empréstimos

Especialistas do Procon Nacional (portaldoconsumidor.gov.br) alertam que o consumidor deve tomar alguns cuidados ao contratar um empréstimo:

– Analisar a real necessidade de crédito antes de comprometer seu orçamento; – Utilizar o cheque especial somente em situações emergenciais e de curto prazo;

– Se puder, escolher linhas de crédito mais baratas, como o crédito com desconto em folha (consignado);

– Evitar empréstimos de longo prazo que embutem custos maiores e, finalmente, não assinar nenhum contrato sem antes estar ciente de todos os custos envolvidos na contratação.

Inadimplência

Mesmo com os juros nas alturas e a inflação em ascensão, as linhas de crédito mais caras do sistema bancário registraram recuo da inadimplência entre março e abril. Segundo o Banco Central, no cheque especial, as faturas pendentes caíram de 15,3% para 14,4%, uma queda de 0,9 ponto percentual. Os dados foram divulgados pela autoridade monetária nesta semana.

A tendência se repetiu no rotativo do cartão de crédito, modalidade que é usada automaticamente quando o consumidor opta por não pagar a fatura integralmente. Nessa linha, a queda foi de 0,2 ponto percentual, de 36,6% para 36,4%; já no parcelado do cartão passou de 0,7% para 0,6%. Considerando todas as operações de crédito, a inadimplência tem mostrado estabilidade.

Em maio, as contas atrasadas representavam 4,3% do saldo de empréstimos e financiamentos, percentual que segue inalterado desde janeiro. Além de não haver um aumento de faturas pendentes, o brasileiro tem se endividado menos. Em março, último dado disponível, o endividamento das famílias caiu ao menor nível desde dezembro de 2012. De acordo com o Banco Central, as dívidas dos consumidores com o sistema bancário correspondiam a 43,06% da renda acumulada em 12 meses. Se descontar o financiamento imobiliário, esse percentual cai para 25,1%.

Cartões são os vilões da inadimplência

– Em abril (435,58) 15,01% ao mês

– No dia 9 de junho foi divulgado que a taxa mensal estava em 15,12%

– Previsão de recuo nas taxas, só em 2018

– 60 milhões de pessoas estão com o nome sujo no país (Serasa/Expirian)

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