Oitenta navios aguardam ao largo da Baía de Paranaguá para serem carregados no Porto. Três pequenos agricultores de uma mesma família da região de Londrina abrem um sorriso quando recebem um trator tinindo de novo – o primeiro de suas vidas no campo. Numa cerimônia em São Paulo é divulgada a lista das principais empresas do Brasil e 10 delas são do Paraná e do setor agroindustrial.
A vocação e a força da produção do campo sempre foram marcas registradas na história do Paraná. O recente implemento da industrialização ajudou a reforçar a economia do Estado, mas a base fincada na terra e fruto do trabalho dos paranaenses demonstra agora, em período de crise como a que o País atravessa, ser fundamental para atravessá-la, apesar das incertezas.
“Estamos ao lado de quem produz no campo e é isto que tem salvado o País”, disse o governador Beto Richa no início de agosto em Carambeí, quando inaugurou mais uma unidade industrial da cooperativa Frísia.
Pouco tempo depois foi anunciado que a safra verão, plantada em 5,85 milhões de hectares, vai produzir 22,1 milhões de grãos, mantendo o Estado entre os maiores produtores brasileiros. Os oitenta navios que estão agora em Paranaguá provam que o apoio estatal ao setor sempre dá bons resultados: eles estão recebendo 5,48 milhões de toneladas de produtos agrícolas entre agosto e outubro, 71% a mais do que no período do ano passado.
Transformar isso em dólares, com cotação alta, dá uma dimensão do que gera como resultado, daí o apoio do governo do Estado, por meio dos financiamentos da agência paranaense do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), para fortalecimento das cooperativas e apoio direto aos agricultores. Resultado: na relação das 24 maiores e melhores empresas do Paraná apresentadas recentemente pelo jornal Valor Econômico, 10 são cooperativas agroindustriais que contam com a parceria de um agente financeiro controlado pelo governo do Paraná.
Jesus, Nazareno e José, três pequenos agricultores da mesma família e moradores da região de Londrina, provavelmente nem tenham a noção da dimensão de tudo isso, mas são igualmente importantes para o Estado. Eles receberam no final do mês passado a colheitadeira financiada pelo programa “Trator Solidário”, que tem a coordenação da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento e já intermediou a compra, com descontos, de 3.400 equipamentos aos produtores de 2011 até agora. “Facilitamos a entrada da tecnologia nas pequenas propriedades de acordo com a necessidade do produtor”, informa o secretário da Agricultura, Norberto Ortigara. “O aumento da produtividade se reflete em outros segmentos da economia”.
Projetos simples e com resultados imediatos como este na área rural fizeram o governo estadual traçar um plano mais ambicioso e estratégicos para todas as regiões paranaenses a ser implantado e desenvolvido até 2018. O objetivo é aumentar a produção agropecuária em 30% e elevar a participação da produção de verduras, legumes e pequenos animais para cerca de 11% do Valor Bruto da Produção total, que hoje é de R$ 70,6 bilhões.
A última divulgação de oportunidades de trabalho no setor agropecuário do Portal Mais Emprego, do Ministério do Trabalho, revelou que o Paraná lidera as ofertas com 3.566 postos, ou seja, 24,8% do total no País. É o reflexo da valorização que se dá a este setor que continua sendo a base sólida do desenvolvimento paranaense.