PÁSCOA: Preço e promoção podem fazer a diferença

Pesquisa sinaliza intenção de consumo estável na comparação anual

(Foto: Mariana Honesko).
(Foto: Mariana Honesko).

A data mais doce do ano está chegando. É a Páscoa, marcada pelo aroma do chocolate, pela venda dos ovos doces e pela aposta do mercado em uma retomada econômica. Faltando pouco mais de duas semanas para a data – a Páscoa cai no dia 21 – os comerciantes se preparam para atender ao gosto e principalmente, ao bolso de seus clientes.

A Fecomércio de Santa Catarina divulgou na semana passada, a primeira sondagem de intenção de compras para a Páscoa deste ano. Conforme o levantamento, os catarinenses devem gastar, em média, R$ 157,44. Florianópolis registrou o menor valor (R$ 128,06), queda de 23% na comparação anual. Já os chapecoenses programam consumir 65% a mais que no último ano – o gasto médio pulou de R$ 120,69 em 2018 para R$ 195,63 em 2019.

Os indicadores continuam estáveis, mas sem trajetória de queda brusca. O percentual das famílias que afirmaram estar em uma situação financeira melhor que no ano anterior atesta que não houve uma queda significativa no poder de compra do último ano para cá, mas uma postura voltada ao planejamento dos gastos. Nesse cenário, as vendas continuarão em processo de recuperação”, ressalta o presidente da entidade, Bruno Breithaupt.

Entre os hábitos do consumidor catarinense traçado pelo estudo é possível sinalizar a tradicional pesquisa de preço no comércio (71,4%). A busca pelo melhor preço (39%) e pelas promoções (30%) vão ser pontos decisivos em todas as cidades pesquisadas, com destaque para Joinville, onde 84% dos consumidores irão levar em conta o preço na hora das compras. Segundo o levantamento, o consumidor pretende manter o planejamento em dia optando expressivamente pelo pagamento à vista (88,8%) – em dinheiro (71,9%), ou pelo cartão de débito e crédito (16,9%).

Com dados que mostram a intenção de compras no Paraná, o diretor de Relação Públicas da Câmara dos Dirigentes Lojistas de União da Vitória (CDL), Thiago Iwanko, não fala em “processo de recuperação”, antes, de otimismo para uma elevação nas vendas, na comparação com 2018. “O mercado tem mostrado com otimismo esse início de ano, tanto que as expectativas de vendas no comércio são de um aumento de 5,4% com relação ao ano de 2018. Esse crescimento vem desde 2017 após as fortes quedas nesta data durante 2015 e 2016 devido à crise. Esses dados otimistas corroboram a expectativa pelos empresários com recuperação da economia e são consequência da melhora da conjuntura, todavia ainda não colocam o país no patamar pré-crise”, pontua. “Mas não podemos deixar de salientar que é um sinal consistente de que o brasileiro está voltando ao mercado de consumo em um ritmo acentuado”, completa.

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O “queridinho”

Segundo levantamento do SPC Brasil, o ovo de chocolate ainda é o principal produto procurados pelos consumidores (54%,). No ranking, aparecem ainda os bombons e barras de chocolate (35%) e outros produtos não alimentícios (11%). No Paraná, a média de gasto com os produtos deve ficar na casa dos R$ 145.

E embora os doces tenham maior saída, as sondagens de intenção de compras mostram a vontade dos consumidores em aposta na compra de roupas e brinquedos na data. “Temos também uma perspectiva de aumento de vendas de peixes em 5,6%, como em bebidas em geral devido as datas religiosas presentes na semana da páscoa, aonde os entrevistados que pretendem comemorar a páscoa, 80% pretendem comprar peixes para a ocasião”, ressalta Iwanko.

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Páscoa pode incrementar o orçamento familiar

O preço alto dos ovos de Páscoa tradicionais e de marca (eles ficam na faixa dos R$ 65, em média), levam a uma procura intensa pelos doces caseiros, feitos com qualidade e que por não ter uma logomarca nacional, custam bem menos. E se é bom para quem compra, é uma opção de renda extra para quem decide fazer o chocolate em casa.

“A Páscoa representa no meu orçamento um salário extra. Graças a Deus, tem bastante encomenda e na semana (da Páscoa), aumenta ainda mais”, conta Andreia Elizabeth Dziurkowski, 31, moradora de União da Vitória, que há quatro anos, trabalha com a venda de chocolate.

Conforme ela, os pedidos são bastante variados, mas os ovos de colher (que não são encontrados no mercado nacional), tem preferência. “Neste ano, estou fazendo as cestinhas e os ovos, apenas com a casca”, comenta. “Adoro trabalhar com chocolate”.

Andreia faz parte de um grupo que só cresce, vem se consolidando como tendência e vai ao encontro da produção do País: dados de 2017, mostram que o Brasil é quinto produtor de cacau do mundo, ao lado da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. Nada mais inteligente, portanto, do que transformar essa matéria-prima abundante em um produto refinado, que agrada a maioria dos paladares.

Dados da pesquisa encomendada pela Associação Comercial do Paraná e produzida pela Datacenso Pesquisa, Inteligência e Mercado, mostram que a compra pelo produto caseiro deve ser opção para 22% dos entrevistados. O “local” fica à frente, inclusive, das distribuidoras de doces (7%).

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