PESQUISA: Profissionais endividados têm menor atenção e desempenho

Levantamento mostra que quem tem dívidas, produtividade das empresas cai 15%

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Atualizado há 7 anos

Fernando Ferraz defende educação financeira: da empresa, para a vida (Foto: Reprodução).
Fernando Ferraz defende educação financeira: da empresa, para a vida (Foto: Reprodução).

Aquela máxima de que dinheiro não traz felicidade, pode ter uma certa aplicação no mercado de trabalho. É que uma recente pesquisa mostrou que a maioria dos brasileiros com dívidas, tem baixa produtividade na empresa – o que acaba refletindo na saúde de toda a estrutura. Neste cenário, algumas ideias de negócio já surgem no mercado e propõem não só tirar o profissional do vermelho, mas também torná-lo um poupador. Foi sobre este assunto que o empresário Fernando Ferraz, sócio fundador da H3R, empresa que presta consultoria especialmente aos setores de Recursos Humanos, conversou com a reportagem do Grupo Verde Vale de Comunicação (leia no quadro).

“O conceito de crédito consciente deve ser aplicado com o seu uso planejado, com propósito e educação financeira, fomentando o empreendedorismo e evitando o endividamento excessivo. O Brasil vive uma crise econômica em que os principais prejudicados são os trabalhadores”, destacou.

Para Fernando, os setores (de Recursos Humanos) enfrentam dificuldades para “reconectar profissionais com o trabalho”, em razão do acúmulo de dívidas e problemas financeiros. “O aumento das dívidas é um problema comum entre os trabalhadores brasileiros e não deve ser ignorado. Consome o tempo e a energia das pessoas. Trabalhamos para que o colaborador não volte a ficar endividado e comece a criar uma cultura de poupar com consciência”, finaliza Fernando.

Dois em cada dez consumidores tiveram crédito negado em abril

No mês de abril, 17% dos consumidores brasileiros tiveram crédito negado ao tentarem fazer uma compra a prazo. Dados do Indicador de Uso do Crédito, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostram que a principal razão para a negativa é o fato de estarem com o nome inserido em cadastros de inadimplentes (27%) ou por falta de comprovação de renda (20%). Há também 22% de entrevistados que não souberam o motivo da negativa, 17% que não tinham renda suficiente e 14% que estavam com o limite de crédito excedido.

De forma geral, a maioria (52%) dos brasileiros não utilizou nenhuma modalidade de crédito no mês de abril, como empréstimos, linhas de financiamento, crediários ou cartões de crédito. Outros 48%, porém, mencionaram ter recorrido, ao menos, a uma modalidade no período. O cartão de crédito (42%) e o crediário (13%) foram as modalidades mais usadas no último mês. Já o cheque especial foi citado por 9% da amostra. Há ainda 7% de consumidores que buscaram empréstimos e 3% entraram em financiamentos.

No caso do cartão de crédito, 21% dos seus usuários não conseguiram pagar integralmente a fatura em abril e entraram no chamado ‘rotativo’, que cobra um dos juros mais caros do mercado. Os que honraram os compromissos em dia somam 77% dos entrevistados. O valor médio da fatura em abril de 2019 foi de R$ 763,84, tendo a maioria dos consumidores mantido um valor aproximado que nos meses anteriores (39%).

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Entrevista

Jornal O Comércio (JOC) – Como a falta de dinheiro afeta a produtividade? Como se chegou à essa conclusão?

Fernando Ferraz (Fernando) – Por experiência própria no mercado, até por ser funcionários, a gente vê isso acontecer no cotidiano. Isso acontece, até por emergências, as pessoas deixam os problemas financeiros atrapalhar o dia a dia. A pessoa não foca no trabalho porque fica pensando em alguma solução. A gente viu que isso acontece em muitos casos.

JOC – Ele busca alternativas dentro do trabalho?

Fernando – Acontece o pior. Pessoas endividadas forçam uma demissão para receber o valor só para resolver esse problema.

JOC – Oitenta por cento dos brasileiros enfrentam o problema?

Fernando – Até mais, se comprarmos os dados do ano passado com 2019.

JOC – Dá para deixar os problemas do lado de fora do trabalho?

Fernando – Difícil, porque a pessoa é a mesma, em casa, na rua e na empresa. É difícil virar uma chavinha. Isso acompanha a pessoa no cotidiano.

JOC – Os efeitos da crise que cobriu o País ainda são sentidos?

Fernando – Sim, até porque as empresas que conseguiam pagar adicionais, por exemplo, começaram a cortar custos para sobreviver. E o funcionário não esperava por aquilo. Ai, aconteceram os endividamentos.

JOC – Uma educação financeira aos funcionários, seria interessante?

Fernando – Essa educação deve ser uma constante. Isso precisa ficar na empresa, mas também ser levado para dentro de casa. As pessoas precisam entender o quanto ganham e o quanto podem gastar.

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