Programas sociais bombam a economia do Vale do Iguaçu

Saiba quanto dinheiro irrigou os negócios de União da Vitória e Porto União

(Foto: Reprodução).
(Foto: Reprodução).

O pagamento do auxílio emergencial representou um remédio importante para evitar o colapso econômico e social no país. A excepcionalidade do enfrentamento de uma pandemia justificava plenamente o esforço desse investimento em nome do socorro às parcelas mais pobres da população.

No Vale do Iguaçu não foi diferente. A soma dos recursos do Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Auxílio Emergencial, injetaram mais de R$ 50 milhões na economia local.

De janeiro a junho, o Bolsa Família transferiu R$ 541 mil, em Porto União e R$ 1.741 mil, em União da Vitória. Em janeiro, o município catarinense teve a transferência de R$ 89 mil, chegando a R$ 90 mil no meio do ano.

Já no lado paranaense, foi transferido em janeiro R$ 272 mil chegando a R$ 304 mil no mês de junho.

Por outro lado, o BPC apresentou pouca elevação nas transferências de recursos durante o semestre no Vale do Iguaçu. Em Porto União os valores oscilaram entre R$ 668 mil (abril) e R$ 676 mil (janeiro).

graficos_beneficios_uniao_vitoriaEm União da Vitória, foram transferidos de janeiro a abril R$ 976.663, passando para R$ 983 mil, em maio e R$ 985 mil, em junho.

Com relação ao Auxilio Emergencial, as transferências sofreram queda no decorrer dos meses. Lembrando que o benefício foi implantado a partir do mês de abril, com o valor de R$ 600 – destinado a trabalhadores informais, autônomos, microempreendedores individuais e desempregados que enfrentam os efeitos econômicos provocados pelo novo coronavírus, e de R$ 1,2 mil por mês à mulher que for mãe e chefe de família.

graficos_beneficios_porto_uniaoNo primeiro mês do benefício, Porto União registrou mais de R$ 3 milhões em transferências. O valor subiu para R$ 4,4 milhões em maio, caiu para R$ 2,5 milhões em junho e fechou o mês de julho com R$ 1,8 milhões.

Em União da Vitória, o Auxilio Emergencial injetou R$ 7,8 milhões em abril, passando para R$ 9,5 milhões em maio, caiu para R$ 5,4 milhões em junho, chegando a R$ 3,4 milhões em julho.

Segundo o diretor de relações públicas da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) no Vale do Iguaçu, Thiago Iwanko, os valores dos programas sociais tem apresentado papel importante na recuperação da economia local.

“Tem auxiliado para que a recuperação da economia seja mais acentuada, pois durante o fechamento do comércio durante a pandemia a queda na arrecadação foi grande”.

A CDL acredita que essa recuperação acontece de forma gradativa, com reflexo no aumento de vendas.

“Os números mostram que o setor tem reagido, porém, sabemos que a recuperação leva tempo, mas a injeção do auxílio emergencial e dos créditos disponibilizados ao setor vem demonstrando sinais claros que foi uma atitude acertada do governo e tem auxiliado no aumento das vendas”, destacou Iwanko.

De acordo com a entidade, os setores do turismo e de eventos foram os mais impactos negativamente durante a pandemia. Entretanto, o Vale do Iguaçu contou com setores que apresentaram aumento de venda, como foi o caso de móveis e eletrodomésticos.

“Como a população tem ficado mais em casa, elas aproveitaram para fazer investimentos em suas residências”.

Paraná

O Bolsa Família injetou no Estado do Paraná mais de R$ 357 milhões de reais durante os seis primeiros meses do ano. Os valores transferidos de janeiro a março passaram dos R$ 56 milhões, apresentando elevação de R$ 62 milhões nos meses seguintes.

graficos_beneficios_paranaOs valores injetados pelo BPC oscilaram no Estado entre R$ 219 milhões (janeiro e fevereiro), passou para R$ 220 milhões (março e abril) chegando a R$ 221 milhões (maio e junho).

Já o Auxílio Emergencial registou em junho R$ 680 milhões ao contrário dos dados apresentados em abril de R$ 1 bilhão, o que indica duas possibilidades, o recurso ainda não foi sacado pelo beneficiário que aguarda a liberação da tabela para o saque conforme o mês de nascimento, ou ocorreu a estabilização da situação financeira da pessoa.

Santa Catarina

O cenário em Santa Catarina apresentou a mesma tendência que o Paraná, porém, com valores de transferidos dos benefícios inferiores, reflexo da situação populacional (SC – 7.252.502 de habitantes, PR – 11.516.840 habitantes /dados: 2020).

graficos_beneficios_santa_catarinaO Bolsa Família injetou na economia catarinense mais de R$ 19 milhões em janeiro, fevereiro e março, chegando a R$ 22 milhões em abril, maio e junho.

O BPC oscilou entre R$ 80 milhões (fevereiro e março) e atingiu R$ 81 milhões nos meses de janeiro, abril, maio e junho.

Já o Auxílio Emergencial resultou em R$ 694 milhões em transferências no mês de abril, passando para R$ 926 milhões em maio, sofrendo queda para R$ 521 milhões em junho, chegando a R$ 393 milhões em julho.


Bolsa Família

O programa de transferência direta de renda é direcionado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o País. Segundo a Caixa Econômica Federal mais de 13,9 milhões de famílias são atendidas.

Cada benefício tem o valor de R$ 41 sendo que cada família pode acumular até cinco benefícios mensalmente, chegando a R$ 205.

BPC

O benefício é destinado a pessoas idosas com 65 anos ou mais que não tiveram direito a aposentadoria, além de deficientes incapazes de trabalhar. É concedido a essas famílias, um salário-mínimo mensal, tendo como base no valor do ano vigente, em 2020 de R$1.045,00.

Auxílio emergencial

É um benefício financeiro concedido pelo Governo Federal destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – COVID 19. Em um primeiro momento foi estipulado quatro parcelas de R$ 600 (ou R$ 1,2 mil para mães solteiras).

Nesta terça-feira, 1º, o Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a prorrogação do beneficio para mais quatro meses, porém, com novo valor de R$ 300. Para as mães solteiras, o valor concedido é de R$ 600 reais.

Efeitos do auxílio

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado no dia 27 de agosto, aponta que cerca de 4,4 milhões (6,5%) de domicílios brasileiros sobreviveram, em julho, apenas com a renda do Auxílio Emergencial. Entre os domicílios mais pobres, os rendimentos atingiram 124% do que seriam com as rendas habituais.

O benefício chegou a 80% dos domicílios mais pobres do país e ampliou em mais de 23% o rendimento de famílias no Nordeste, de acordo com pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os 19,2 milhões de pessoas contempladas via Bolsa Família, o benefício médio saltou de R$ 190 para, no mínimo R$ 600.


Afetadas pela pandemia

Dados da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, apresentados hoje, 2, para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o País tinha 3 milhões de empresas em funcionamento na segunda quinzena de julho, sendo que 37,5% delas informaram que a pandemia afetou negativamente suas atividades.

Para 36,3% das empresas em funcionamento, o efeito da pandemia sobre os negócios foi pequeno ou inexistente, enquanto outros 26,1% relataram ter observado um impacto positivo.

Entre as regiões, a pandemia impactou negativamente 49,6% das empresas no Nordeste, 44,7% no Centro-Oeste, 36,7% no Sul, 33,3% no Sudeste e 29,4% no Norte.

Publicado no JOC de 9 de setembro de 2020, edição nº 2703

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