A situação da indústria paranaense é de forte encolhimento. Esta é a avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a partir dos dados apresentados no levantamento Indicadores Conjunturais relativos a junho de 2016.
No resultado de janeiro a junho de 2016, o indicador de vendas industriais apresentou queda de 4,04% na comparação com o mesmo período de 2015. De acordo com o apurado pela entidade, o nível de vendas encostou no registrado em 2007. “A crise econômica que atinge há três anos a indústria se confirma no resultado acumulado no primeiro semestre do ano”, explica Roberto Zurcher, economista da Fiep.
Na análise da Fiep, além dos gargalos crescentes da economia brasileira — burocracia, carga tributária, encargos sociais —, o setor produtivo paranaense tem experimentado com maior intensidade questões que classifica como de “rearrumação da casa”, como juros altos, crédito restrito e falta de investimentos em infraestrutura. O que, na visão da entidade, devem ser empregados no momento para a reconquista de um novo ciclo de expansão, algo, porém, que ainda não é possível de prever o início.
“No confronto junho de 2016 com o junho do ano passado, o desempenho em vendas foi negativo em 5,27%”, destaca. Já se confrontado com maio, o indicador de vendas industriais registrou evolução de 3,39%. “Esse desempenho é atípico, já que tradicionalmente maio é o mês de maiores vendas no primeiro semestre”, afirma Zurcher. “No último maio, porém, a redução foi de 1,55%. Essas altas e baixas são resultado das incertezas e da instabilidade que tem preocupado o mercado nos últimos tempos”, reforça.
As Compras Industriais também registraram desempenho negativo no primeiro semestre do ano se comparado com o mesmo período de 2015. A queda foi de 3,15%.
Houve queda considerável também no nível de emprego total e o diretamente ligado à produção. Os indicadores registraram retração de 2,94% e de 0,35%, respectivamente, no confronto dos primeiros seis meses deste ano contra o mesmo período de 2015. Também na comparação com maio, ambos apresentaram desempenho negativo, de 1,79% e 1,37%.
A massa salarial líquida também oscilou negativamente em 2,28% no confronto de junho ante maio. Já horas trabalhadas apresentou alta de 2,36%, assim como a utilização da capacidade instalada, que ao subir dois pontos percentuais, chegou a 72%, mesmo nível identificado em junho de 2015.