
Na semana passada uma reunião entre a Secretaria de Indústria Comércio e Turismo de União da Vitória, Conselho de Turismo (Codetur), Associação de Turismo e Meio Ambiente (Atema), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) com empresários da Energética Água Santa, de Curitiba, decidiu pela emissão de pareceres sobre a construção de duas Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) em Área de Preservação Ambiental (APA) da Serra da Esperança. A primeira fica na antiga Usina Palmital e a segunda CGH fica na cachoeira das Bromélias.
No encontro algumas ideias de como manter o turismo nas cachoeiras foram decidias, contudo, para um parecer oficial a Secretaria de Turismo e o Codetur ficaram responsáveis pela emissão de dois pareceres. Ambos foram enviados nesta semana à APA da Serra da Boa Esperança, com decisões favoráveis. A APA irá avaliar se a construção das CGHs terá algum impacto ambiental ou poderá prejudicar a estética das cachoeiras e, então, reenviará a documentação para o escritório do Instituto Ambiental Paranaense (IAP) em União da Vitória.
De volta ao munício outros requerimentos de instalação e operação deverão ser aprovados pelo IAP para que, então, comecem as construções. Conforme o chefe do escritório, André Aleixo, o documento está protocolado desde 2011 mas ainda em fase de requerimento de Licença Prévia.
O empreendimento é particular e terá um custo de R$ 12 milhões, 6 para cada uma das usinas. As obras podem durar 12 meses. Contudo, mesmo com os tantos outros documentos favoráveis à construção, haverá uma audiência pública para que o projeto seja apresentado e discutido. Porém não há certeza de que o clamor público possa interferir na construção das CGHs.
Ressalvas
Mesmo com o “sim” à construção das Centrais Hidrelétricas nas cachoeiras da Bromélia e Usina Palmital, os órgãos de turismo da cidade elencaram alguns pedidos à Energética Água Santa, as chamadas medidas compensatórias. A primeira, talvez a mais importante, seja o repasse de 3% de toda a obra à Administração, que será aplicado em um projeto turístico novo na região. O valor gira em torno de R$ 300 mil. Outra é o direito de visitação turística e, ao menos uma vez no mês a vasão d’água das cachoeiras seja de 100%. Também como medida compensatória os órgãos pedem a realização de reforma completa do Kit Cachoeira (compreendendo as estruturas de quiosques, churrasqueiras, sanitários e sala de recepção) localizado na Cachoeira das Bromélias, bem como a manutenção e limpeza periódica nas duas cachoeiras.
Qual o projeto?
A queda de 24 metros da Cachoeira das Bromélias terá uma soleira construída de 4 metros. A vazão turbinada dessa água será de 4,9 metros cúbicos em relação a vazão média do rio, que é de 8,6 metros cúbicos. Nessa CGH, batizada como Água Benta, terá cerca de 0,3 de hectare alagado (1,3 corresponde a calha natural do Rio Palmital).
Já na CGH Água Santa, que fica na cachoeira Salto da Usina – onde já existiu uma usina entre as décadas de 1940 a 1980 – serão construídos 5 metros de soleira, para uma queda natural d’água de 16,5 metros. Aproximadamente 6,9 metros cúbicos da queda natural será de vazão turbinada, o que irá fazer funcionar a usina – para uma média de vazão de 7,6 metros cúbicos do rio. Nessa obra o alagamento será de um hectare.
Outros pedidos compensatórios
– Confecção de folders educativos sobre natureza, saúde, bem-estar e história da região, os quais deverão ser distribuídos para os visitantes dos locais;
– Realização de resgate da história do Rio Palmital e da localidade de Palmital de Cima, com repasse de tais informações aos visitantes;
– Contratação de mão de obra local;
– Abertura, manutenção e conservação das vias de acesso às cachoeiras;
– Realização dos programas socioambientais descritos nos RAS;
– Realização de Programas de Turismo e Lazer;
– Instalação, manutenção e conservação do mobiliário de sinalização.