“Crianças fora da sala de aula é crime”

Pesquisa do IBGE aponta que mais de 960 mil crianças estão sem escola. Regionais de Educação de Canoinhas e União da Vitória adotaram medidas alternativas para diminuir os números de evadidos

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Atualizado há 14 anos

“Crianças fora da sala de aula é crime”. (FOTO: Wannessa Stenzel)

“Crianças fora da sala de aula é crime”.

A frase foi dita na tarde de ontem pela coordenadora da Educação de Jovens e Adultos do Núcleo Regional de Educação (NRE) de União da Vitória.

Com atendimento nos nove municípios da Associação dos Municípios do Sul do Paraná (Amsulpar), a equipe de ensino do NRE desde o ano passado adotou algumas alternativas para coibir a evasão escolar.

Com a parceria do Ministério Público (MP) é desenvolvida a Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente. A rede conta ainda com apoio de entidades de diversos segmentos da sociedade, diretores, professores e também os prefeitos com um termo de compromisso de comparecimento em sala de aula. Os pais comprometem-se a zelar pela seguridade da criança e adolescente na escola.

Dados
Antes da criação da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente os dados apontavam que dos 28.913 mil alunos atendimentos pelo NRE os evadidos totalizavam 390. Deste total, os números hoje diminuíram para 40%.

Reunião
Na semana passada a equipe do NRE esteve em São Mateus do Sul para discutir o assunto. Neste segundo semestre o encontro segue para os demais municípios. De acordo com Adriana, os encontros constam da presença do Conselho Tutelar e dos pais para debater os reais motivos da evasão.

Canoinhas
O Gerente de Educação de Canoinhas, Ricardo Martin, afirma que o importante para amenizar os problemas de evasão escolar é oferecer oportunidades de ensino para a comunidade.

A Gerência de Canoinhas que atende a cidade de Porto União e demais municípios do Planalto Norte oferece aulas desde o ensino fundamental até o ensino médio nos períodos da manhã, tarde e noite. “A nossa intenção é oferecer ensino de qualidade. Para tanto estamos reformando as escolas e disponibilizando acessos para pessoas com deficiência.Não queremos ninguém fora da sala de aula”, confirma.

A evasão de alunos entre os municípios atendidos pela gerência não ultrapassa 1,8%, dos 17 mil alunos atendidos em toda a região. O total de escolas atendidas totaliza 23. “O estado de Santa Catarina está entre os melhores estados do Sul do Brasil com estudo de qualidade”, confirma o professor Ricardo.

No Brasil
O percentual de crianças na faixa etária de 6 a 14 anos que não frequentavam a escola, em 2010, foi de 3,3%. Isso significa que cerca de 966 mil crianças dessa idade foram excluídas do ensino formal.

O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), integra o Censo Demográfico 2010. De acordo com o Censo, três estados (Acre, Roraima e Amazonas) tinham mais de 8% das crianças fora da escola.

No outro extremo, a Unidade da Federação em que este indicador apresentou o menor valor foi Santa Catarina (2,2%). O Distrito Federal é uma das quatro unidades da federação nas quais o percentual não ultrapassou 2,5%. Se consideradas as crianças entre 7 e 14 anos, o percentual delas fora da escola diminuiu de 5,5% para 3,1%, em 10 anos.

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